quinta-feira, 14 de junho de 2018

3 - Ficha Rosa

Após o bufê com o Adrian, os ganhos obtidos com outros clientes nos dias seguintes ficaram bem abaixo do que eu esperava inicialmente, apesar do esforço redobrado. Ao revelar o valor do programa, era alvo de ironias, risadas e ofensas. Zombavam, afirmando que poderiam conseguir algo melhor pela metade do preço. Conquistar a independência e estabelecer-me por conta própria foi mais desafiador do que eu esperava.
Havia decidido não me submeter a um cafetão e tentar por conta própria, depois de ler matérias e depoimentos sobre o tema na internet. Os relatos sobre a violência e exploração de garotas de programa eram alarmantes. Mas, infelizmente, minha produção independente não estava rolando a contento; ainda tive um contratempo, apesar de andar por áreas diferentes do aeroporto e também de um shopping “chique” de Campinas em dias alternados. Certa noite, fui abordada por um dos seguranças, que percebeu meu propósito no local. Ele foi legal comigo, explicando que prostituição não é crime no Brasil; no entanto, eu poderia ser acusada de Importunação Ofensiva ao Pudor (importunar alguém, em lugar público ou acessível ao público). Com certeza eu teria problemas se continuasse assediando homens no local. Agradeci sua gentileza e fui embora.

Durante uma semana, fiquei sem essa diversão e percebi que estava dependente dessa coisa do escondido e do perigoso. Sentia muita falta dos momentos de sexo com tensão, também do dinheiro que acostumei a ganhar. O prazer por relações perigosas é para mim como uma droga altamente viciante — acredito que deve ser o mesmo com quem tem algum vício químico.

Não esperaria que o destino se encarregasse de ajeitar as coisas; correria atrás. Decidi cair de cabeça na atividade e procuraria alguém de minha confiança para pegar experiência no ofício enquanto eu não desenvolvia e fortalecia um blog para futuras relações. Havia feito, há pouco tempo, alguns trabalhos como promotora em feiras e eventos. Infelizmente, tive um problema com o homem que contratava as garotas; ele descobriu que meus documentos estavam alterados e que eu ainda era menor de idade. Mesmo assim, voltaria a procurá-lo e lhe diria que gostaria de ser "Ficha Rosa". Esse termo é usado para garotas que aceitam sair como acompanhantes dos visitantes das feiras/eventos e recebem dinheiro em troca de sexo com eles. Eu havia recusado a proposta da outra vez.

Fui ao seu escritório tentar agendar uma entrevista, e dei sorte de pegá-lo em um bom dia. Argumentou que ainda estava com um pé atrás comigo; no entanto, recomeçaríamos do zero e minha nova admissão dependeria do meu desempenho na entrevista. Claro que eu fui produzida e toda delicinha com um vestidinho preto, lindo e sensual. Depois de concordar em ser Ficha Rosa e batermos um papo esclarecedor sobre discrição e funcionamento da agência, ele disse que estava considerando a chance de fecharmos um novo contrato.
— E dessa vez espero não ter nenhum contratempo com você.
Jurei que não haveria mais problemas, meus documentos estavam certinhos e só queria trabalhar.

Ele pediu que eu fosse ao seu lado para assistirmos a um vídeo sobre o próximo evento que aconteceria no Centro de Exposições. Por sua sugestão, debrucei-me sobre a mesa em frente ao monitor. Ficou evidente que ele criou o pretexto para me ter ao seu lado. Estava sendo testada e aquele seria o momento de pagar uma "taxa de inscrição". Sua mão pousou em minha cintura e percorreu meu quadril, bumbum e penetrou por dentro do meu vestido tubinho, chegando ao meu sexo. Seus dedos brincaram sobre a minha calcinha, que começava a umedecer. Ele descaradamente ainda comentava algo sobre o vídeo, perguntando se eu estava entendendo. Minhas respostas eram sussurros de "hum-hums" que concordavam enquanto eu balançava levemente minha bunda. O homem afastou um pouco a cadeira, abraçou minha cintura, conduziu-me ao interior de suas pernas abertas, encarou-me e convidou-me para um beijo. Deitei o corpo sobre ele, apoiando-me no encosto de sua cadeira, e nos beijamos. Suas mãos em minha cintura impeliram meu corpo para baixo; ajoelhei-me aos seus pés. Sua intenção era ganhar um boquete, então eu não o decepcionei. Abri suas calças e libertei seu órgão em fase de enrijecimento, o lambi de baixo a cima, encarando-o e excitando-o. Seu membro estava duríssimo quando o coloquei em minha boca e o engoli.

Instantes depois, ele pediu que parasse, pois estava quase gozando. Recuei minha cabeça e o vi acenando com um preservativo. Toda safadinha, peguei-o da sua mão, ajeitei-o em minha boca e coloquei em seu órgão pulsante e desenrolei-o com os lábios.
Atendi prontamente seu convite, livrando-me da calcinha e sentando no seu pau. Suspirei, desfrutando a invasão da minha vagina, e diverti-me com sua surpresa ao sentir a resistência do meu hímen complacente. O homem pirou:
— Não acredito. Você ainda é virgem?
Curtindo aquele momento, só respondi "hum-hum" em tom de negativa. Suas estocadas venceram e ultrapassaram meu hímen ao mesmo tempo em que meu gemido ecoou pela sala ao subir e descer, sendo golpeada com intensidade.

Foram vários minutos de um frenesi com impactos vigorosos. Ao sentir o pulsar do seu membro enchendo a capinha com seu gozo, também cheguei ao ápice do prazer. Diminuímos o ritmo até pararmos, e fiquei com minha cabeça deitada em seu ombro. Aguardamos um tempinho enquanto a respiração voltava ao normal; aproveitei para sussurrar em seu ouvido:
— Estou contratada, chefinho?
De um modo que misturava gentileza e autoridade, respondeu que sim, mas pediu para eu aguardar uns dias, que ele entraria em contato.

Aguardei ansiosamente por uma semana até receber seu sim por telefone e voltei a fazer parte da empresa.

Algumas semanas depois, já havia participado de alguns eventos e feito vários programas. Um deles mexeria com meu futuro de uma forma diferente dos outros. Acompanharia um cliente importante após terminar meu horário em uma feira têxtil. Aquele homem já havia puxado conversa comigo enquanto eu estava no stand. Perguntou se eu fazia apenas o serviço de promotora.
— Faço serviço completo, mesa e cama — afirmei de maneira sedutora.
Era um coroa respeitado no ramo de confecções. Ainda não sabia que ele entraria de um modo avassalador em minha vida. Tornar-se-ia minha tábua de salvação (a princípio) e um pesadelo (na sequência), ou seja, começaria no paraíso, mas entraria em um túnel em chamas.
Porém, é uma outra história que continuarei narrando nesta série de contos.

Continua…

Última revisão em: 23/05/2026.

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