<< JÁ FAZ BASTANTE tempo desde que recebi a oportunidade de retornar ao mundo dos vivos. Não conseguia determinar exatamente: “Provavelmente estou aqui há semanas”, imaginei. Na verdade, passaram-se meses. Estava prestes a enlouquecer com uma espécie de pesadelo que me infernizava repetidamente desde a minha transferência para esse corpo em coma, um pesadelo sobre o instante de terror ocorrido no acidente trágico com a minha família… E a minha morte no carro do resgate.
Sim, seria eternamente grata pela segunda oportunidade de viver, mas já estava cansada da rotina de tentar ligar o “veículo” que não pegava, ou de percorrer o labirinto dando de cara com portas fechadas. Em meio a essa rotina, procurava preencher o tempo com recordações de momentos felizes vividos na companhia de pessoas agradáveis.
Um episódio curioso aconteceu um ano antes de nos mudarmos para o Vale do Paraíba. Era um período em que eu já lidava com o desconforto da menstruação; contudo, a imagem refletida no espelho me agradava: meus quadris mais largos, o bumbum mais volumoso e meus seios maiores. Os garotos do meu convívio notaram a evolução, mas os elogios eram apenas assédio bobo e me aborreciam. Eu não era como os demais jovens da minha idade e, aos poucos, comecei a me distanciar da turminha, optando por conviver com um grupo de garotas e rapazes mais maduros.
Em uma tarde de sábado, estava na pracinha, de bate-papo com a turma nova; um dos rapazes de um casarão próximo convidou a todos para uma festinha de despedida. Ele partiria para um intercâmbio de seis meses na Inglaterra.
Dos presentes, eu era a única novata na casa. Fui apresentada ao pai do Attila (o colega anfitrião).
— Bem-vinda…?
— Gisele — respondi.
— Nándor, ao seu dispor — disse ele ao estender-me a mão e depois deu-me os dois beijinhos. — Divirta-se, Gisele!
De todos os homens naquela casa, o mais charmoso era o coroa. Impressionante como era parecido com o homem que dançou com a Nicole Kidman, fazendo comentários provocativos, no filme “De Olhos Bem Fechados”.
Mais tarde, passada mais de uma hora e mais de uma taça de vinho ingerido, balancei demais o corpo ao acompanhar o ritmo de uma música e esbarrei no Attila. Cacete! Parte do vinho tinto em seu copo derramou em minha blusa clarinha.
Saí no gás para lavar e, já no interior do lavatório (antecâmara) que ele me indicou, tirei a blusinha. A porta não tinha trinco ou chave; achei melhor lavá-la no banheiro.
Eu só não esperava que, ao abrir a outra porta mais ao fundo, eu pegaria o seu Nándor batendo punheta. Instintivamente, cobri os seios com as mãos e blusa.
O bonitão continuou de boa, segurando seu pau duro. O danado deixou-me muito excitada; imaginei aquele cacete nas minhas mãos e caindo de boca nele, chupando faminta até o fazer jorrar.
Como se estivesse hipnotizada, continuei parada, sem tirar os olhos da cobra de cabeção rosado, e baixei os braços lentamente.
— Seus seios são lindos. Imagino que sejam doces e deliciosos — falou, sorrindo lindamente, continuando a alisar o pênis.
Restabeleci o contato com a torre ao ouvir a voz do homem e devolvi-lhe o sorriso, mirando em seus olhos sedutores.
— Vem, anjinho, não fique acanhada.
Sem pensar no risco de ser flagrada, deixei a blusa no cabide da porta e fui juntar-me a ele; minha boca já estava aguando por aquele pau grande e apetitoso.
Minhas atitudes foram ligeiramente acanhadas diante dos elogios do homem maduro, de postura altiva e super sedutor. Deixei-o tomar a iniciativa de conduzir minha mão em seu membro.
— Nossa! É bem grandão, mas bem macio — falei ao acariciá-lo com uma mão, depois com as duas.
Ajoelhei-me aos seus pés e comecei a lamber, chupar e engolir o negócio com uma vontade incomum. O homem acariciava minhas costas nuas e seios, a princípio.
Quando sua respiração começou a ficar acelerada, segurou em meus cabelos e começou a foder em minha boca, sem forçar a barra. Ficou perceptível que ele estava a ponto de gozar. Ele tirou, mas continuei com a boca aberta, esperando que ele despejasse dentro, mas errou o primeiro tiro; o jato atingiu meu nariz e o segundo, a bochecha. Os próximos foram derramados sobre a minha língua.
Voltei a chupar seu pau, engolindo tudo que ainda saía dele, mas com um medinho ao imaginar o que ele faria comigo a seguir.
Ele permaneceu sentado no vaso tampado enquanto eu tirava o excesso de porra do meu rosto com papel higiênico.
Logo após, as mãos másculas prenderam meu corpo e sua boca provocou delícias em meus seios. Deixei-me levar, mesmo ainda sendo tecnicamente virgem, pois a única penetração sofrida até aquele dia havia ocorrido na casa do tio Agenor em nossa visita meses atrás. Ainda assim, não tinha certeza se fui possuída pelo meu tio-avô, por alguma entidade ou se tudo não passou de um pesadelo.
Naquele momento era real, estava acordada, apenas de pileque, mas completamente hipnotizada pelo homem que sutilmente começou a abrir o botão e zíper da minha calça jeans.
— Estou ansioso para ver a joia que você esconde aqui — disse ele, excitando-me ainda mais.
Minhas calças foi puxadas até os pés, enquanto minhas coxas e bumbum eram acariciados e ouvia sacanagens gostosas ditas sem pudor. Quando minha calcinha começou a descer, expondo meus pelinhos pubianos encharcados, meu tesão explodiu, queria livrar-me das roupas e sentar minha boceta em seu cacete.
No entanto, ao ouvir vozes se aproximando, percebi a loucura que estava fazendo. O homem arrumou sua roupa, sugeriu que eu trancasse a porta e foi embora.
Ao lavar meu rosto e, em seguida, a blusa, experimentava sentimentos contraditórios: frustração por não ter transado e alívio por não consumar a loucura.
“Alívio, nada; eu desejei loucamente ser penetrada pelo coroa. Além disso, gostaria de agora estar saboreando os prazeres ainda emanando do meu corpo e sorrindo feito uma boba.” Falei comigo mesma.
Ao retornar ao convívio da turma, aparentemente, minha longa ausência não foi notada. Foi melhor assim.
Apesar do desejo, não retornei ao banheiro e não encontrei o coroa novamente naquele dia.
***
Despertar do Coma
Voltando a atenção ao corpo em coma, certo dia, enquanto praticava minha rotina de mover-me pelos corredores do labirinto escuro, empurrando portas na tentativa de sair dali, tive uma surpresa maravilhosa: uma das portas cedeu levemente e a claridade entrou pela fresta aberta, iluminando o ambiente. Foi mágico e fez-me vibrar de esperança. À medida que fiz pressão com as mãos, a danada cedeu lentamente até chegar ao ponto em que minha alegria se tornou infinita; havia despertado do coma.
Os momentos seguintes foram de uma emoção indescritível; de repente, senti por completo o corpo que eu ocupava e tive a nítida sensação da presença da minha irmã Giovana; era como sentir ela me abraçando. Meus olhos marejaram com a emoção, tentei olhar ao redor, mas meu corpo atual tinha uma enorme limitação para executar movimentos; ainda assim consegui enxergar e julguei estar no interior da UTI de um hospital.
Fragilizada e debilitada, morria de dores ao tentar me mexer. O bom senso ordenava-me para ficar o mais quietinha possível. Fiquei assustada e ansiosa para falar com alguém.
Cadê o pessoal do hospital? E como estarão meus pais e minha irmã? É noite ou dia? Por que não consigo falar?
Aproveitei o tempo que permaneci sozinha para chegar a algumas conclusões; uma delas era muito bizarra: eu e minha irmã morremos e minha alma se transferiu para o corpo dela, restabelecendo-lhe a vida. Isso explicaria a sensação absurda da sua presença em mim.
Lembrei-me com detalhes do dia da colisão; algo inexplicável aconteceu dentro da ambulância quando a Giovana entrelaçou seus dedos nos meus. Uma força estranha fundiu-me a ela, como se o laço de irmãs nos atraísse como ímãs. Ao pressionar sua mão, minha sensação era de estar sendo transferida para o interior dela, enquanto meu corpo se apagava lentamente.
Nossas mentes fundiram-se por um instante fugaz, mas suficiente para alegrar-me com seu pedido de perdão. Ela acessou minhas lembranças dos momentos terríveis que passei nas mãos dos bandidos do instituto, uma tortura suportada por mim somente com a intenção de proteger a todos nós da família.
Infelizmente, aquele momento de magia durou apenas míseros segundos; deixei de ouvir a mente da caçula, como se ela tivesse desaparecido como pó aspirado por uma força centrífuga.
Daquele ponto em diante, vaguei pelo labirinto escuro até acordar do que parecia ter sido um sonho surreal, complexo demais para minha simplória compreensão da vida.
Tentava assimilar o acontecimento; meu espírito, força vital, consciência e tudo isso aí que chamam de alma estavam dentro do corpo adormecido da minha irmã. Disso agora eu tinha certeza.
Meu estado psicológico estava um caos, e sofri com a incerteza de tudo: para onde foi minha irmã? Eu ficaria ali, para sempre, caso ela não retornasse? E se a alma dela voltasse reclamando o corpo?
A enfermeira chegou algum tempo depois e, em seguida, o médico. Retiraram os aparatos de respiração artificial.
As horas seguintes foram de alegrias para enfermeiras, médicos e meu tio Armando. Ele chegou horas mais tarde e a tia Neide não veio com ele; ficou arrumando o quartinho o qual eu ocuparia na casa deles, segundo meu tio.
Eu mal conseguia balbuciar palavras, mas me fiz entender:
— Por que vai me levar para a sua casa, tio?
Foi nesse instante estranho que ele, na companhia do médico e da enfermeira, deu a pior notícia da minha vida: meus pais tiveram morte instantânea e eu (Gisele) morri a caminho do hospital. A tristeza por perder meus pais, ainda mais sabendo que indiretamente a culpa foi minha, era uma dor insuportável. Por outro lado, eu não sabia como reagir à notícia da minha morte; era muito mórbido e incompreensível.
Eles não sabiam que estavam interagindo comigo no corpo da Giovana. Algo em mim alertava que era prudente manter em segredo, pelo menos por enquanto.
A previsão de alta ainda parecia distante, então pude refletir à exaustão, sentindo o tempo todo a presença da minha irmã. Durante o período de “incubação”, idealizei hipóteses e surgiram perguntas difíceis de responder: e se a alma dela retornar? Como ela reagiria? Nós duas teríamos o controle do corpo? E se eu revelar para todos que é a minha alma no corpo da Giovana? Com certeza seria considerada louca, mas, se acreditassem, o risco era virar cobaia em estudos científicos ou, pior, poderia ser exorcizada.
Não me faltava tempo para pensar bobagens; comparei a situação com um computador travado, que só voltava a funcionar após ser reinstalado o sistema operacional. Eu era o novo sistema e minha memória eram os novos arquivos.
Atormentava-me a morte do Roberto; fiz a escolha errada ao roubar os equipamentos na tentativa de desviar o foco da verdadeira intenção. Deveria ter retirado apenas o HD e os cartões de memória. Mas como eu iria adivinhar que havia um rastreador? O jornalista era mais experiente e não comentou nada semelhante a essa possibilidade. Resta-me agora conviver com a dor.
Ao ponderar sobre tudo que havia pensado a respeito anteriormente, inclusive sobre o acidente, estava segura de termos sofrido uma tentativa de homicídio para nos calar. Também uma represália proveniente dos líderes do universo sombrio e ilegal. A Giovana seria considerada uma ameaça? Se sim, estaríamos em perigo.
Será que o pessoal do site de denúncias está trabalhando com o material que entregamos a eles?
No feriado da Independência, fiz meu segundo treinamento na casa do Roberto, que tinha como objetivo abrir as fechaduras do ateliê com chaves-michas e me apoderar das provas dos abusos sofridos por mim. Nesse mesmo dia, o jornalista registrou em vídeo a minha denúncia; era semelhante ao relato que fiz no parque em nosso primeiro encontro. Dessa vez, dei mais detalhes e nomes das pessoas que conheci no universo do mal, além de informações capazes de revelar a identidade de outros, cujos rostos não consegui ver, devido às suas máscaras.
Era para ele enviar esse vídeo com as provas do crime. No entanto, nos antecipamos, e na sexta-feira, dia 9, o depoimento foi enviado para o site de denúncias horas antes da minha invasão ao ateliê, pois, se tudo terminasse terrivelmente errado, eles ainda teriam algo para investigar.
Após remover o material e trabalhar nele durante a noite no quarto de motel, ainda tomamos precauções enviando o HD com a cópia das imagens e a carta original da Susana. Logo após deixarmos o estabelecimento pela manhã, tudo foi entregue a um portador para ser repassado aos responsáveis pelo site. Eles já estavam cientes sobre o meu caso.
Ponderei sobre tudo isso e decidi pôr em prática uma ideia: fingiria ser a minha irmã caçula; seria fácil, pois estava no corpo dela. E simularia um estado de amnésia parcial, principalmente dos fatos relacionados ao instituto e ao vilarejo de Águas Turvas.
Continua.
Última revisão em: 06/04/2026.
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