sábado, 28 de fevereiro de 2026

Almas Gêmeas - Parte 22

<< ACORDEI MAIS CEDO que o habitual, horas após ter sido abusada pelo “vampiro” dentro da urna funerária. Fiquei ponderando sobre a suposta passagem secreta, possivelmente utilizada pelo homem.

Deixei o alojamento em cima da hora do início da primeira aula no colégio, mas não resisti à curiosidade, desviei meu caminho para verificar a área atrás da sala secreta.
Chegando lá, observei um pergolado de madeira, coberto com folhagens decorativas. Sob ele, rente à parede, um banco comprido e pesado, também de madeira. Aquela área toda ao redor é um pequeno pomar de acesso restrito aos funcionários, segundo alertava uma placa, mas eu sou xereta, né?
Não encontrei nenhuma porta aparente na lateral, tampouco nos fundos daquelas paredes de tijolos cerâmicos.
Que droga! Se tem uma passagem secreta, ela deve ser secretíssima, pensei com frustração, pois deduzi que, ao roubar os equipamentos valiosos, ao invés de trocar as mídias, ocultaria a verdadeira intenção do meu ato. Eu acho.

A sorte estava apenas começando. Ao chegar ao outro lado, encontrei um quartinho encostado na parede, um cômodo com laje, construído com os mesmos tijolos vermelhos e blocos vazados em vez de janela.
Ao observar a porta de madeira avermelhada, robusta, com fechadura Tetra, minha expectativa diminuiu. Uma placa na entrada dizia: Depósito de Ferramentas. Considerei um exagero de segurança na guarda de enxadas e tesouras de podar plantas; eu iria examinar o interior.
Devido aos meus 1,63 m de altura, precisei ficar nas pontas dos pés para espiar pelos buracos dos blocos vazados. Consegui visualizar outra porta na parede dos fundos, embutida na mesma parede lateral da sala secreta do ateliê. O diminuto espaço interior não continha mais nada. Fiquei feliz por descobrir que a passagem não era secreta quando vista pelo lado de fora. Mas como eu abriria duas fechaduras Tetra sem as chaves? Faria essa pergunta no YouTube, mais tarde. Deve ter algum curso intensivo com formação em arrombador de portas, né? Hahaha! Pensei e ri comigo mesma.

***

Passaram-se três dias; era 12 de agosto, véspera do Dia dos Pais. O sábado estava frio quando tomei o ônibus do instituto em Águas Turvas às sete da manhã. Quarenta minutos depois, desembarquei em Mogi das Cruzes. Havia programado pegar um coletivo para casa e retornar mais tarde com a Giovana para fazermos compras. Na lista, constava uma camisa polo para presentearmos o papai.

Enquanto me dirigia ao ponto, alguém me chamou pelo nome. Olhei e identifiquei o Roberto dentro do carro dele. O rapaz é primo da Cíntia; ele fez parte da turminha no passeio à cachoeira.
Falou que estava voltando de São José dos Campos, onde passa a semana trabalhando e cursando o último ano da faculdade de Jornalismo.
— Nossa! Último ano, já? — Achei que você tivesse a idade do Lucas.
— Farei 22 em outubro.
Ganhei uma carona, pois ele disse que passaria pelo meu bairro. Adorei as coincidências do encontro.

Nossa conversa começou trivial, mas logo ficou escorregadia quando ele falou a respeito da Cíntia. Roberto estava revoltado, desconfiava que sua tia forçava a filha a participar de rituais satânicos em uma seita ligada ao instituto.

Vixe Maria! O que este cara sabe? Por que está me contando isso? Indaguei-me, preocupada.

Ele comentou que, imediatamente após sua tia obrigar sua prima a deixar a escola municipal e matriculá-la no instituto, a menina começou a se comportar de maneira estranha.
— Caraca! Ela estuda no instituto? — indaguei, surpresa, pois nunca a vi por lá.
— É uma das ramificações que começaram a operar em Mogi e em outros municípios neste ano — explicou ele.
— Eita! Eu não sabia disso.

Posteriormente, ele mencionou sua conversa mais recente com Cíntia durante o horário de visitas no hospital.
— Ela tentou me dizer algo, mas mal balbuciava as palavras, como se estivesse drogada. Imediatamente, a minha tia aproximou-se com cara de reprovação e intimidou a garota. A enfermeira comunicou o fim da visita e fui praticamente expulso do quarto. Tudo isso rolou em poucos segundos e foi muito estranho.

Naquele ponto do bate-papo, fiquei sabendo que nosso encontro não foi coincidência; o Lucas havia revelado que eu estudava no instituto em Águas Turvas e costumava voltar para casa somente no sábado de manhã.
O motivo que o levou a procurar-me — segundo ele — foi devido às palavras balbuciadas pela Cíntia. Roberto disse ter interpretado como um pedido de socorro da prima e acreditou que eu teria respostas às suas perguntas.

Puta que pariu! O que aquela louca falou para ele? Pensei, apavorada.

— O que ela disse, exatamente?
— “Procura a amiga do Lucas”, disse ela com muita dificuldade. Minha esperança, Gisele, era que você pudesse me ajudar a desvendar esse mistério que envolve a minha prima.
— Eu não sei como, Roberto.

Aquela sonsa bem que poderia ter sofrido de boca fechada. Pensei com raiva.

Ele revelou que estava investigando por conta própria se sua tia e pessoas ligadas ao instituto pertenciam a uma seita de atividades ilegais.
Esse cara sabe mais do que tenta aparentar, e muito mais do que seria prudente saber, pensei, sentindo-me extremamente desconfortável. Contudo, ele me inspirava confiança e até parecia ser um cara legal. Acreditei que seu interesse em desvendar esse mistério era realmente para proteger sua prima. Senti-me na obrigação de alertá-lo sobre quão perigoso era envolver-se nesse assunto.

Com a tentativa de ganhar tempo para pensar, falei que nossa conversa seria longa e teria que acontecer em outro dia.
— Mas com uma condição: você não pode comentar com ninguém sobre este encontro, tampouco sobre o próximo — falei super séria.
Fui sincera ao revelar que sentia pavor da direção do complexo estudantil.
— Eles são controladores, muito rígidos, e nos obrigam a seguir inúmeras regras e manter segredo sobre tudo o que acontece no interior do instituto.
Prossegui emitindo um alerta:
— Não é prudente ficar investigando essa rede perigosíssima. Acredite em mim, Roberto, tenha muito cuidado e desconfie até da polícia.
É evidente que despertei ainda mais sua curiosidade jornalística, mas não revelei mais nada.

Apesar da sua impaciência na obtenção de mais detalhes, fui categórica, pedindo que aguardasse até o próximo encontro. Ele acabou aceitando e prometeu prudência.
— Aguardarei ansioso nosso próximo encontro.
— Beleza, Roberto! A gente se fala no sábado que vem, lá no Parque Centenário. Tchau!
Desci do carro com a cabeça a milhão, achando que havia falado demais.

***

A nova semana foi arrastada e lenta como a anterior, mas pelo menos levaram o caixão embora e não surgiram visitas ou novidades desagradáveis. Os desconfortos foram os rotineiros e ficaram a cargo do mestre Vilânio. Foi suportável dentro do possível e, no íntimo, fiquei agradecida porque não houve trabalhos externos.

Sextou e minhas obrigações terminaram em torno das 21:15. Como sempre, fui para o alojamento ainda sob os efeitos colaterais do “chá do capeta”.

Eram precisamente 22h quando saí de fininho, fugindo da instituição de ensino para encontrar-me com o professor Rodrigo numa rua paralela. Fomos para sua casa praticarmos os saborosos atos libidinosos, pois ninguém é de ferro, né? Felizmente, ainda existia um mundo fora das grades do instituto.
Este outro mundo é quase perfeito quando o professor não faz perguntas sobre o ateliê ou sobre meu estado letárgico. Nessas horas, brota em mim somente o desejo de curtir suas carícias, esquecendo momentaneamente a minha situação de escravizada. Porém, quando ele pega no meu pé com sua seriedade de adulto e querendo saber mais do que seria seguro para ambos, eu sinto vontade de deixá-lo falando sozinho e ir transar com seu sobrinho Lucas.
Mas aquela foi uma noite de momentos felizes e de pura diversão sobre a cama, não somente sobre o leito conjugal, já que me pegou de frente em uma cadeira, beijando a minha boca enquanto mexia gostoso. Ou permitindo-me cavalgar livremente sobre o seu pau, assistindo aos meus peitos balançando, enquanto desafiavam sua boca a abocanhá-los.

Pouco depois, ele incluiu a escrivaninha na diversão. O homem, após curvar-me sobre ela, arrancou-me gemidos que saíam um tom acima do normal ao pegar-me por trás, desferindo seus golpes em meu ânus.
A longa série de idas e vindas em minhas entranhas, somada à quantidade de tapas “carinhosos” desferidos em minha bunda, culminou com uma deliciosa sensação ao atingir o ápice do prazer, chegando à perfeição durante o gozo do meu parceiro. Ahh! É preciso tão pouco para sermos felizes.

O banho a dois foi tão maravilhoso quanto: saí do banheiro carregada em seus braços e dormimos de conchinha até o amanhecer.

Deixei o professor dormindo e fui ao Parque Centenário enfrentar a reunião complicada e perigosa com o Roberto.

Continua.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Almas Gêmeas - Parte 21

<< COMEÇANDO MAIS UMA SEMANA no ateliê, noite de segunda-feira, 8 de agosto. Fiquei ligada no mestre Vilânio, manuseando os equipamentos que ele usa diariamente no registro das imagens.
As peças mais importantes, como notebook, HD externo, filmadora e câmera fotográfica, são guardadas em um armário de aço trancado à chave. O homem cauteloso nunca descuida do chaveiro preso ao seu cinto.
Aguardaria uma oportunidade para conferir a marca, o modelo e o estado geral do HD externo e dos cartões de memória, tanto da câmera de vídeo quanto da câmera fotográfica, onde não só o trabalho, mas principalmente as putarias, das quais sou vítima no interior do ateliê, ficam armazenadas. Quem sabe consiga também as cenas dos abusos ocorridos fora do estabelecimento?

Minha ideia era trocar uma dessas mídias, pelo menos, por outra igual contendo um defeito que impossibilitasse o acesso aos dados e à possível descoberta de sua origem. O risco era absurdo, mas era minha única ideia viável para ter em mãos as provas dos crimes por eles praticados.

Nos últimos dias, eu assisti a tutoriais para aprender sobre os aparelhos, para ser rápida na verificação e anotações das características, porque o artista não costuma demorar mais de dois minutos em suas ausências para fazer xixi ou pegar uma xícara de chá.

A semana não progredia, dava a impressão de que as horas vagarosas tinham 120 minutos cada, principalmente as noturnas.

Terça-feira, a minha noite no ateliê começou às 19h, como habitualmente acontecia. Amir (o cão Rottweiler) não estava presente. A propósito, desde o dia em que o mestre deixou-me sozinha com o peludo naquela sala e rolou uma química maravilhosa entre nós, o homem aderiu à cultura do cancelamento, excluindo o animal da maioria dos trabalhos comigo. Nos poucos dias em que esteve presente, foi maltratado pelo coroa rancoroso. Indiretamente, o infeliz me punia.
A sessão de trabalho seguiu com minhas expressões faciais e corporais, nenhuma novidade; posei nua na antessala por cerca de duas horas. Geralmente, em dias normais, minha jornada terminava às 21h. O mestre Vilânio parecia dar a entender que havia acabado, mas…
— Pode ir fazer xixi, Gisele, caso necessite, mas não se vista, permaneça nua.
Ele não iria me dispensar, ficou evidente. Assim como ficou evidente que eu não iria gostar da etapa seguinte, principalmente quando me obrigou a engolir mais uma dose do chá escuro, nauseante e entorpecedor.
Cruzei meu olhar com o dele; com certeza leu em meu semblante as perguntas que eu gostaria de fazer. Todavia, devido à sua expressão autoritária e raivosa, nem foi preciso vomitar sua frase rotineira: “Não faça perguntas, não diga nada que não seja estritamente necessário e obedeça a todas as ordens”, em virtude de não ter aberto minha boca.

Momentos depois, mandou-me ir para a sala secreta e deitar-me no interior da urna funerária que permanecia sobre o palco.
Meu ódio pelo homem estava transbordando. “Que vontade de matar este filho da puta.” Pensei, indignada. Meus pesadelos e noites mal dormidas dos últimos dias tinham muito a ver com o caixão. Como se já não bastasse toda a atmosfera satânica e abusiva daquele inferno.

O ataúde fúnebre, de madeira avermelhada e envernizada, estava aberto no centro do palco do teatro de arena em miniatura. A tampa foi deixada ao lado e a iluminação central foi desligada. As únicas luzes acesas eram as da base circular em volta de todo o palco, focando toda a atenção para ele.
Quando subi os dois degraus, de uns trinta centímetros cada, ainda não conseguia ver todo o interior do caixão. Aliás, eu até evitava olhar para a coisa mórbida. Eu costumava chegar chegando, sem dar muita atenção, e já entrava no bagulho. Era minha maneira de amenizar o incômodo clima de suspense.
Mas, desta vez, quando me aproximei, fiquei completamente tomada pelo pânico ao ver alguém lá dentro. Não segurei o grito e segurei apenas parcialmente o xixi, posto que um esguicho acabou escapulindo.
Só não saí correndo porque as pernas bambearam, também porque a voz da pessoa não me era estranha, apesar de abafada pela máscara.
— Calma, mocinha, eu ainda estou vivo.
Era o “vampiro” de semanas atrás, o qual eu suspeitei ser meu tio-avô Agenor. Com a mesma máscara horrenda e a capa preta com capuz. Menos mal, pois, por um instante, imaginei que seria forçada a entrar no caixão contendo um defunto.
O homem-morcego descobriu-se jogando parte de sua capa para o lado; ela pousou sobre uma borda lateral da urna. Como da outra vez, ele estava pelado por baixo do hábito. Mandou eu deitar de lado, de costas para ele, no espaço mínimo restante lá dentro. Fiquei espremida entre o corpo nu daquele senhor e a outra lateral do caixão. Envolvida em seus braços, meus seios ficaram amassados nas palmas de suas mãos, enquanto meu rosto, colado ao acolchoamento interno, causou-me repulsa e uma aflição claustrofóbica. Minha perna esquerda foi erguida e largada sobre a borda. O coroa encaixou em meu vão e esfregou o membro em fase de ereção na minha vagina.
Por vários minutos, inclusive após atingir a ereção plena, ele apenas roçou minha zona íntima enquanto esfregava seu corpo no meu como se praticasse um ritual. Foi o momento de maior tensão e medo do sobrenatural ao ouvir o homem murmurar algo em uma língua estranha; parecia mais com um gemido, como se estivesse possuído, em transe e delirando de prazer.
Imaginei que ele gozaria nas minhas coxas durante a cerimônia sinistra, mas logo largou um dos meus seios e direcionou seu pau na minha fenda para penetrar-me sem gentilezas.
Dessa vez, quem gemeu fui eu, alto e desmedidamente, devido ao desconforto. O homem se apoderou de vez do meu corpo, puxando-me parcialmente para cima dele ao iniciar sua série de golpes.

Continuamente durante um período prolongado, recebi estocadas cada vez mais vigorosas. O calor tornou-se sufocante no interior da urna fúnebre, com suor emanando em abundância de ambos. O homem estava perceptivelmente cansado, ofegante e arfando feito um cão em minha orelha. Contudo, em um momento de ímpeto redobrado, o coroa chegou ao gozo, expelindo morosamente o ar dos pulmões, como se entoasse um hino celebrando o instante de sua ejaculação. Sua atitude revelou a dimensão da sua satisfação, também a comemoração do feito, imaginei eu.
Então, ele começou a reduzir vagarosamente os movimentos, até o ponto de parada, mas sem tirar de dentro. Nossos corpos encharcados de suor mantiveram-se fundidos.

Durante o momento do abuso, mesmo estando completamente entorpecida, poderia afirmar, sem medo de errar, que o coroa copulando comigo era o meu tio-avô Agenor.
Não mentirei, sim, eu gozei, apesar da situação doentia e humilhante. Porém, foi um gozo sem graça; eu segui um roteiro para tentar agradar e acabar logo. Diferente da vez anterior, em que parecia estar hipnotizada por este mesmo “Conde Drácula”.

Passado um intervalo de tempo demasiado longo, o homem continuava imóvel, ainda inserido em mim, mas o pênis completamente murcho.
Será que o tiozinho dormiu? Ou será que morreu? Pensei, preocupada. Forcei uma tosse e balancei meu corpo.
Ele retornou para este plano e falou autoritariamente:
— Está dispensada, menina, pode ir!
Dei graças a Deus! Levantei-me sem me preocupar com a vagina vazando meleca. Fui ao banheiro e fiz uma higienização. Vesti minhas roupas e vazei rapidinho do ateliê.
Não vi o mestre Vilânio em momento algum. Estaria ele atrás do vidro espelhado filmando tudo? É provável.

Ao acordar na manhã seguinte, em minha cama no alojamento do instituto, comecei a repassar em pensamento o ocorrido na noite anterior. Quem abusou de mim foi o tio Agenor, ou alguma entidade em seu corpo; minha certeza era de 99,99 por cento. Não foi nenhum espanto, porque não era a primeira e nem a segunda vez. A pergunta era: “Como o sujeito entrou na sala secreta?”.
Não acredito que ele estivesse ali desde antes das sete horas da noite. O homem ocupado e com poderes administrativos teria solicitado a minha presença no mesmo instante da minha chegada.
A única entrada daquele miniteatro é por meio da porta secreta da antessala, onde eu permaneci o tempo todo, devido a não ter ido ao banheiro quando foi dada a oportunidade.
Teria outra passagem secreta nos fundos do teatrinho? Ela seria útil em meu plano de conseguir provas contra eles.


***

Com muito custo, a sexta-feira e a semana de labuta chegaram ao fim e, mais uma vez, consegui sobreviver às aberrações habituais. A parte feliz foi o sucesso na obtenção das características das mídias de armazenamento. Entretanto, os cartões de memória da filmadora Blackmagic e da máquina fotográfica Nikon eram do tipo CFast e top de linha. Além de o preço ser inacessível para mim, precisaria importar e aguardar por semanas.
O HD externo era viável e de disponibilidade imediata.
Agora precisaria encontrar uma pessoa de confiança e com conhecimentos para comprar e causar um dano não perceptível a olho nu no HD substituto, evitando que seus dados fossem acessados até mesmo por especialistas, tirando deles a evidência da troca.
Quem sabe o Lucas? — questionei-me. O meu aprendiz de hacker parece ser capaz. Eu assumiria os custos.

Continua.

Última revisão em: 28/03/2026.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Almas Gêmeas - Parte 20

<< NOITE DE SEXTA-FEIRA, dia 5 de agosto.
Passava muito das nove da noite quando saí do ateliê e também do instituto. O professor Rodrigo me esperava em uma rua próxima.

Minutos depois, estávamos na estrada a caminho de Mogi. Já dera certo uma vez a minha “fuga” do alojamento e as consequências foram mínimas. Perdi o medo de repetir a dose, mesmo porque já havia dado um foda-se para as inúmeras regras daquele lugar castrador, onde minha vida era dura e difícil demais. A gente tem que pelo menos tentar ser feliz e, para isso, precisa quebrar algumas regras, mesmo com os riscos associados. Redobraria a atenção para não ser surpreendida.

Passou cerca de meia hora; havíamos acabado de adentrar o interior do puxadinho. O homem dirigiu-se ao banheiro, enquanto eu subia a escada caracol rumo ao dormitório.

Após o banho, ele entrou no quarto somente com a toalha cobrindo suas partes baixas. Eu estava relaxada em sua cama, trajando apenas a camisa social do professor.
— Uau! Parece um gladiador romano, amei — exclamei, de modo insinuante.
— E você, minha Vênus, me encanta com sua beleza.
Paramos com a rasgação de seda e fomos logo para as carícias. Porém…
— Rodrigo!! Vem aqui, pelo amor de Deus!
Era a voz desesperada da sua irmã Neide.
Ele foi até a janela para ver o que era.

Resumo da ópera: o cunhado do Rodrigo se envolveu em um acidente de trânsito com posterior briga. Ligou dizendo que estava detido no local.

Será que o Lucas está em casa? Foi meu primeiro pensamento após o professor, já vestido, pedir-me desculpas, dar um selinho e sair no gás. Os dois irmãos foram para o local do acidente.

Passado apenas um minuto, o sobrinho deu sinal de vida.
— Gisele, você está aí?
— Estou, sobe aqui!

O safadinho chegou velozmente e com seu olhar de cachorro pidão.
— E aí, linda, o que vai me ensinar hoje?
— Primeiro, responde como você sabia que eu estava aqui.
— Senti seu cheiro!
— Palhaço! Fala a verdade, pois entramos bem de mansinho.
— Tá bom! Estava na torcida de que você viesse, então fiquei ligado e espiei da minha janela quando percebi um movimento.
— Você é mesmo danado, né, seu Lucas?
— É paixão, linda.
— Bobo! — Então, estive pensando em te ensinar o ipsilone.
— Eita! E como é isso?
— Hahaha! Eu também não sei.
— E como vai me ensinar, professora?
— Eu tenho uma teoria; acompanhe meu raciocínio: não colocaram a varinha reta do ípsilon no vão entre as duas varinhas inclinadas, como se fossem pernas abertas; colocaram atrás. — Entendeu?
— Entendi tudo, professora. — Bora então, prometo caprichar no buraquinho para tirar um 10.
— Ai, Lucas! Como você é safado.
— Só eu? — A ideia foi sua.
— Ganhou de novo, espertinho. — Vem, deita aqui pra gente desenvolver essa teoria!
— Não acha melhor irmos para o meu quarto?
— Tem razão, amor, aqui é mancada.
Levantei e abri uma gaveta na mesinha de cabeceira.
— Você não tem isso daqui, né? — falei ao pegar e mostrar o tubo de lubrificante íntimo do professor.
— Não tenho, gata.
— Vou levar este emprestado, vamos precisar. — Bora lá!
— Você vai assim, só de camisa? — E se eles chegarem?
— Vixi, é mesmo! Hoje eu estou avoada. — Vou vestir minha roupa.
Ainda estou meio sonâmbula devido aos resquícios do chá do mestre Vilânio, pensei.

O aquecimento foi delicioso; mesmo com a sua falta de prática no oral, ele compensou fazendo com vontade e sem pressa.
Como retribuição, eu chupei seu pau e engoli-o todinho várias vezes. Na sequência, sentei com minha boceta nele, cavalguei suave e gostoso, imaginando o momento futuro: ele me pegando por trás.
Não demorei muito em cima dele, queria o seu gozo em outro orifício. Com uma porção de gel, eu lubrifiquei seu nervo exposto, que estava absurdamente rígido; depois foi a vez do meu buraquinho. Fiz isso, sorrindo safadamente para ele. Não precisamos de palavras; nossa sintonia parecia perfeita.
Fiquei de quatro com a bunda virada para a lateral da cama; o boy ficou em pé atrás e quebrou o silêncio:
— Como você é linda e perfeita, Gisele.
E deu um tapinha tímido na minha bunda.
— Pode bater sem dó, moço, eu sou uma menina má — falei, tentando parecer infantil.
— Safadinha — disse ele, e o tapa foi mais forte.
Rebolei o bumbum fazendo graça e senti o contato da sua glande em meu ânus. A penetração começou lenta e com pausas. Ele estava sendo cuidadoso e não causou desconforto.
Foi delicioso senti-lo dentro, e ficou melhor ainda quando as estocadas ganharam intensidade.

Em certo momento, eu peguei em sua mão e a coloquei sobre minha vagina, forçando seu dedo para dentro. Ele começou a tocar meu grelo e, instintivamente, sua outra mão massageou meus seios.
Gemendo baixinho, eu curtia cada pedacinho dele dentro de mim e o seu corpo colado no meu, balançando num ritmo frenético. E eu gozei no mesmo instante em que ele inundou minhas entranhas de sêmen. Caraca! Ganhei na loteria outra vez. O garoto mereceria a nota máxima; essa transa valeu por duas, como ele é gostoso.

Fui tomar banho na casa do professor Rodrigo.

O que seria, a princípio, a minha terceira noite de amor com o tio, em quase um mês de relacionamento secreto, acabou sendo a segunda vez com seu sobrinho.

Mais tarde, estava cheirosinha e amorosa, esperando pelo professor, acomodada em sua cama. O sono começava a dominar-me. Sorrindo, sozinha, fiquei imaginando se o homem chegaria a tempo de desempatar esse jogo ainda naquela noite.

Na manhã seguinte, saí cedo e deixei o professor dormindo. Ele chegou depois das três da manhã e o placar não foi alterado, continuava 2x2, mas com o sobrinho vencendo pelo critério de desempate.

O Lucas estava saindo para comprar o seu pão de queijo. Conversamos a caminho do ponto de ônibus.
Ele tinha uma notícia terrível:
— Sabe a Cíntia, do passeio na cachoeira? — disse ele.
— Sim, o que tem ela?
— Foi internada; parece algo relacionado a drogas. Mas o Roberto acredita que a menina tentou se matar e a mãe está escondendo isso.
— Caralho, mano! Que barra.

Dei sinal para o ônibus e fui embora convicta da necessidade de conseguir logo as provas dos crimes praticados pelo grupo mafioso. Ficar livre não era mais a preocupação principal; eu queria foder com aqueles putos. Eles não vão me vencer, não vou cair no mesmo desespero da Cíntia; sei que sou forte, acharei uma saída. Pensei confiante e comecei a queimar os neurônios para encontrar a maneira mais rápida de ter acesso às mídias de armazenamento do mestre e roubar as imagens sem ser descoberta. Depois precisaria da ajuda de alguém confiável para poder chegar à Polícia Federal, pois seria perigoso procurar as autoridades locais.
Caso eu consiga a atenção e proteção da PF para mim e minha família, o testemunho da Cíntia reforçaria a denúncia. Firmei meu pensamento, transmitindo forças para ela resistir a esse momento crítico.

Continua.

Última revisão em: 25/03/2026.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Almas Gêmeas - Parte 19

<< FERIADO, 26 de julho, terça-feira – Dia de Sant’Anna – Padroeira de Mogi. Fiquei refletindo e demorei a sair da cama; minha cabeça estava a milhão.

Durante os poucos dias de férias, diariamente sonhava com a possibilidade de nunca mais retornar para aquele inferno.
Havia acordado de madrugada, pensando em alternativas para conseguir a liberdade do universo diabólico. Após ter reconhecido minha mãe na mansão, descobri que não era a única escrava sexual da família e nem a única moeda de pagamento da dívida contraída com o tio Agenor e com os donos do conglomerado comercial.
Estava disposta a revelar toda a verdade sobre a minha situação no ateliê. Ensaiei o discurso para contar tudo desde o início. Nem tudo, né? Seria prudente pular algumas partes embaraçosas. Iniciaria com meu vacilo ao fugir de noite da pousada para ir namorar na cachoeira e, infelizmente, fui descoberta. O flagra sofrido deixou-me à mercê da inspetora Berta. Fui ameaçada de expulsão e de ver todos da minha família arruinados, escorraçados, caso eu não entrasse no suposto treinamento remunerado.
Não fazia ideia do tamanho da arapuca em que havia me metido; comprei a ideia de que as pinturas satânicas eram apenas arte. Foi um terrível engano; aquelas pessoas realmente são cruéis, são demônios. No ateliê, sou drogada no início de cada sessão e me obrigam a fazer coisas não apenas vergonhosas, mas abomináveis, e tudo é registrado em vídeo.
O clima de terror e as ameaças são constantes, e um lema repetido à exaustão: “Não faça perguntas, não diga nada que não seja estritamente necessário e obedeça a todas as ordens.”

Minha revelação também serviria, porventura, para evitar um estrago ainda maior, pois diariamente eu temia pela caçula (minha irmã Giovana). Meu pressentimento era de que não tardaria o recrutamento da garota pelos canalhas do instituto, a fim de incluí-la no grupo de escravas sexuais.
Tinha medo de como meu pai reagiria a essa monstruosa revelação e das possíveis consequências dos seus atos impulsivos e imprudentes. Tinha consciência do tamanho da bomba que estaria jogando no seu colo, estava a par de quão perigoso era enfrentar os poderosos, mas eu não aguentava mais ser sacrificada calada e estava próxima de chegar ao meu limite. Provavelmente, eles também tinham pesadelos até mesmo acordados, devido à situação de dependência financeira e pelas participações em rituais densos e deprimentes como os ocorridos na mansão. Entretanto, alguém precisava tomar a iniciativa e enfrentar nossos opressores. Quem sabe juntos conseguiríamos elaborar um plano de liberdade, nem que fosse apenas um esboço de fuga para algum lugar longínquo e improvável de sermos localizados?

Não falei nada com eles; primeiramente, precisava de um plano, amadurecer a ideia, conseguir provas e aliados. Não necessariamente nessa ordem.


***

Aparentemente, revogaram as minhas folgas das quintas-feiras e, mais uma vez, fui ordenada a apresentar-me no ateliê no início da noite.
Dessa vez, o mestre segurou-me no trabalho de modelo até próximo das 22h; só então comunicou a chegada de um transporte para conduzir-me ao trabalho noturno.
Filho da puta! Senti vontade de gritar e chorar de raiva, mas não lhe dei esse gostinho.

Não fui levada para a mansão; dessa vez a região era outra, situada no meio do caminho entre Águas Turvas e Mogi das Cruzes. Um lugar ermo, esquecido pelo tempo.

O motorista parou nas proximidades de um casarão isolado sobre uma elevação; parecia uma igreja… Ou um cemitério. Para mim dá no mesmo; são lugares frios, sombrios e incômodos. As duas torres de telhados pontiagudos pareciam querer espetar o céu.

Fui orientada a vestir o hábito e cobrir a cabeça, como de costume, mas também a colocar a máscara; só então ele rodou até o portão de grades e foi liberado rapidamente por um dos seguranças. Seguiu passando entre vários carros de alto valor, ali estacionados, e parou rente à lateral do edifício.

Outros dois carros chegaram naquele mesmo minuto e pararam atrás do nosso; só então fui autorizada a sair do veículo. Duas figuras, cobertas por hábitos, saíram dos outros carros; deduzi serem as minhas duas colegas da mansão.
Dona Odete também era nossa anfitriã nesse novo endereço. Nós três fomos escoltadas por ela até o piso superior de uma das torres. Era um salão amplo com decoração medieval: armaduras, lanças, espadas, escudos e alguns maquinários de madeira, latão e tiras de couro que causavam pavor, pois imaginei-os como instrumentos de tortura.

A mulher nos colocou em quartos separados, situados entre as duas torres. Era um quarto minúsculo, improvisado, sem janela, sem banheiro e sem quase nada. Somente uma cama de alvenaria, uma mesinha e uma cadeira. Acho que um dia aquilo foi uma cela.
Foram menos de dez minutos de preparação: fiquei pelada e descalça, recebi a maquiagem, peruca e máscara, tudo similar à mansão. Vesti o hábito com o capuz, sobre o corpo nu, e continuaria descalça. Ela então deixou-me só.

A dona voltou após quinze ou vinte minutos, deu-me o famoso líquido para beber. Na saída do cômodo, juntei-me às outras duas garotas e fomos conduzidas até um portal de acesso guardado por duas figuras grotescas vestidas de negro e máscaras horrendas. Pareciam os “Guerreiros Imortais” do filme 300. Entramos somente nós três, meninas. O ambiente era característico das orgias sexuais: o ar impregnado de incenso e a iluminação muito baixa e avermelhada. Três homens seminus, cobertos apenas por tapa-sexos e máscaras, ficaram intercalados à esquerda de cada uma de nós. Silêncio total. Segurando-nos pelos braços, eles aguardavam alguma coisa.

Minha vista acostumou-se à pouca luz, meu olhar percorria o interior daquela segunda torre quando percebi um movimento de pessoas. O salão era um teatro circular, com poltronas para um pequeno público situadas nos balcões posicionados no alto, tipo camarotes. A turma do traje de gala, capa e máscara se acomodava nas poltronas. Deduzi que umas vinte pessoas estavam no meu campo visual. Deveria ter mais um tanto, no alto, atrás de nós.
A atmosfera de tensão foi elevada, intensificando o medo, quando luzes incidiram sobre o palco central, onde havia três máquinas iguais às que julguei serem de tortura. Outros três homens, similares aos demais, pareciam ser os operadores dos instrumentos.
Um som de órgão inundou o ambiente, mas a melodia não era a mesma executada na mansão, embora fosse tão amedrontadora quanto. Os homens nos puseram em marcha em direção ao palco. Puta que pariu! Meu sangue gelou, devido ao líquido entorpecente ainda não ter me deixado subserviente. Tentei me soltar para correr, pois entrei em pânico ao deduzir que seríamos torturadas naquelas máquinas. Porém, a mão do homem quase esmagou meu braço e praticamente me arrastou para o palco.
Os seis homens se encarregaram de tirar nossos hábitos, deixando-nos despidas. Nossos pulsos e tornozelos foram presos às máquinas pelas tiras de couro, o corpo curvado e o bumbum empinado para fora.
Se a gente chorava e pedia para sair? É claro que sim, mas ninguém se importava; os homens pareciam mortos-vivos.

A situação ficaria pior; uma cortina vermelha abriu-se à minha frente. Vi três cães com aparência de lobo gigante, cada um sentado numa espécie de trono vermelho adornado de dourado. Os animais altivos pareciam desempenhar um papel de divindades, pois tinham três homens mais jovens, também seminus e mascarados, ajoelhados com as mãos juntas, demonstrando servidão diante dos bichos.
O som forte da batida de um macete em um gongo de metal abalou geral. Os rapazes se levantaram e cada um pegou um potinho de barro em um degrau abaixo dos tronos, fizeram uma reverência para os cães ao subirem e baixarem o pote, viraram em direção ao palco e caminharam, sendo seguidos pelos animais de quatro patas.
A cada passo daquela comitiva em nossa direção, meu coração acelerava mais. Deus do céu! Imaginei o pior: seríamos devoradas pelas feras; aquilo era um sacrifício humano. Contudo, os grandalhões peludos até pareciam dóceis enquanto caminhavam suavemente. Será que também estavam sob o efeito do chá alucinógeno?

Quando um dos rapazes chegou atrás de mim, não tive condições de virar para ver o que aconteceria; também nem queria ver, meu estado de subordinação deve ter atingido os cem por cento. Agora eu até faria uma suruba com aqueles nove zumbis ao mesmo tempo, e na boa.
Resignei-me ao meu destino. Só queria ver aquilo acabar logo e com o mínimo de sofrimento. De repente, senti uma gosma geladinha sendo esfregada em meu sexo.
Vi quando os outros rapazes tiraram a gosma de dentro dos potinhos e passaram nas duas meninas. Eu conseguia ver a situação delas; nossas posições formavam um triângulo, cada uma de nós em uma ponta.

Senti um focinho fungando em minha vagina meia dormente, talvez pela ação anestésica da gosma.
Meu Deus! Fiquei horrorizada ao ver o cão gigante começando a montar sobre a novinha; seu pênis era surreal. Acontecia o mesmo com a outra colega… Também comigo, o cachorrão cobriu meu corpo, envolvendo-me com suas patas e tentou me penetrar.
Puta que pariu! Gritei sem pudor ao sentir ele dentro nas primeiras tentativas. O pau do bicho deveria ser igual ao de um cavalo. Mesmo com a vagina anestesiada, o desconforto foi monstruoso, em razão da velocidade e vigor das estocadas.
Cíntia (a novinha da marquinha na bunda) gritava desesperada. O cachorro não conseguia penetrá-la, mas obteve a ajuda do rapaz para alcançar seu intento. Daí os gritos de rebeldia se transformaram em berros de um choro desesperado. Indiferentes, os animais deitados sobre nós socavam sem parar.
A outra garota conteve a rebeldia, mas chorava e gritava tanto quanto eu.

Embora estivesse sofrendo e extremamente preocupada com o saco escrotal do cão crescendo na entrada da minha vagina, ainda consegui perceber que, nos camarotes, algumas figuras femininas sentaram no colo de alguns homens, subindo e descendo sobre o seu parceiro. Era nítido que copulavam e divertiam-se com a desgraça alheia. Causou-me ainda mais repulsa essa gente.

Como se não bastasse as dores da penetração anormal, ainda suportava o desconforto do peso do animal em minhas costas e o arfar do seu bafo quente como uma fornalha. A tortura estava durando um tempo infinito. Provavelmente, deram alguma droga para os cães e retardaram o gozo deles. Aquele animal golpeou-me por mais de meia hora; foi minha impressão.

Encontrava-me extenuada quando ele enfim gozou, despejando um balde do seu líquido. Quando a mangueira descomunal saiu de dentro, o alívio foi imenso, assim como foi um bálsamo sentir a quantidade desmedida de meleca canina sendo expelida por mim.
Dei graças aos céus por ainda estar inteira, pois aquela bola na boca do gol ficou tão grande que, felizmente, impossibilitou sua entrada, ou então o peludo teria arregaçado minha vagina.

A novinha, praticamente desfalecida, há vários minutos perdera as forças para gritar, só gemia e choramingava.

Eu não tinha mais adjetivos depreciativos para nomear os indivíduos daquela congregação criminosa; era um universo de podridão. Jurei a mim mesma ser forte o suficiente para suportar tamanha adversidade, até conseguir uma maneira de expor ao mundo as provas das aberrações desta casta repugnante e pervertida. Também estava disposta a cometer loucuras, caso não conseguisse uma alternativa segura.

Continua.

Última revisão em: 25/03/2026.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Almas Gêmeas - Parte 18

>> 18H DE SÁBADO, 09 de agosto. Perderia outro jogo do Corinthians que estava jogando pelas quartas de final do campeonato brasileiro feminino, contra o Bahia.

Era o aniversário de 6 anos do meu priminho Guilherme. A festa foi num bar-restaurante de propriedade de um grande amigo do meu tio Armando, que também é padrinho do aniversariante. Ele fechou o estabelecimento exclusivamente para o evento.

Havia um bando de pirralhos irritantes com seus pais chatos. Minha amiga Karina, praticamente a única da minha idade, ficamos meio isoladas, fofocando e bebendo escondidas. Contamos com a assistência do tio Armando e do Pedrão, o dono do estabelecimento, ambos nos serviram drinks longe das vistas da minha tia bruxa.

Não eram nem nove da noite quando as pessoas começaram a ir embora; foi pouco depois dos parabéns e de comerem o bolo. Era fim de festa, justo quando eu estava mais animada, pois o Pedrão deixou o som à disposição de mim e da Karina. Estávamos dançando e uns três ou quatro também se animaram.
A tia Neide me chamou para ir no carro com ela e meus primos; falei que eu e a Karina iríamos depois, com o tio Armando.
— O seu Pedro vai dar uma carona para nós, tia. Iremos daqui a pouco.
A expressão dela, para mim, foi pior que uma cusparada na cara. A fulana odiava ver-me feliz.

O maior interesse em ficar foi o da Karina, que estava adorando a atenção dispensada a ela pelo Pedrão. A investida sedutora do empresário ganhou a menina. Os destilados de qualidade, misturados com refrigerante e servidos a nós, devem ter deixado o homem mais atraente na avaliação da minha amiga.


Festinha Particular

Faltando um pouquinho para as 22h, os últimos convidados foram embora. Ficamos eu, Karina, titio e o Pedrão.

Nós, moçoilas, já estávamos de pileque, não o suficiente para dançarmos de minissaia sobre o balcão; todavia, ao ingerirmos as caipiroscas de frutas vermelhas ofertadas pelo proprietário, daí, sim, ficamos muito loucas.

Estava difícil manter meu tio à distância, não devido ao seu tamanho e força, mas porque já estava imersa no clima de orgia e pecado. Também foi devido às bebidas ingeridas, claro. O ambiente estava propício para tornar-me promíscua. Assim como a amiga, que já estava completamente envolvida pelas carícias, beijos e pelo corpanzil do Pedrão, sentada no colo do homem e tendo os seios, que acabaram de ficar à mostra, sendo acariciados e chupados pelo seu parceiro.
A tia Neide acabara de ligar para o tio Armando; imaginei a cabeça da sonsa coçando quando ela pressentiu duas pontinhas de chifres aflorando. Ao término da ligação, foi a deixa para eu ceder à sedução do safado, sentar no seu colo e pegar-me aos beijos com ele.
Também fiquei sem minha camisa, sem o top e peitinhos de fora; o homem fez miséria em meus mamilos inchadinhos.

A situação saiu do controle e as ações fluíam rápido demais; nem conseguia dar atenção à voz interior repudiando os acontecimentos: “Vadia, vai se entregar a esse tarado?” “Relaxa e curte, novinha, a vida é curta.”
Fui colocada sentada sobre uma mesa e a minha calcinha passou pelos meus pés a milhão. Fiquei deitada de costas com as pernas suspensas no ar pelas mãos masculinas, a minissaia erguida ao nível da cintura e o calor da boca do homem em minha vagina. Ahh! Desliguei o “Wi-Fi” e não ouvi mais nada. Agora eu aceitaria tudo e só queria me acabar de prazer.
Os gemidinhos e gritinhos vindo da outra mesa não eram mais de sexo oral; o Pedrão bombava firme na boceta da amiga novinha.

Voltei toda a minha atenção ao meu tio, que havia se afastado para colocar uma camisinha; o tarado veio preparado ou pegou com o colega de sacanagens. Menos mal, pois eu estava desprotegida.
Ele não fez cerimônia, invadiu o vão das minhas pernas abertas e só deu duas pinceladas em minha fenda para começar a deslizar gostoso dentro de mim, sem paradas e até o fundo. Só então soltei lentamente o ar que enchia os meus pulmões e comecei a gemer, sentindo suas mãos agarradas em minha cintura, fazendo meu corpo ir e vir como se eu fosse o seu brinquedo.

Caraca! Quando fui agraciada pelo gozo, minha voz interior gemeu em coro comigo. A Karina também continuava dando seus gritinhos de prazer.

Passava das onze quando meu tio e eu chegamos em casa tentando disfarçar o porre e, ele, a animação. Ainda levei uma passada de mão na bunda enquanto abria a porta. Eu até posso, ocasionalmente, dar uma rapidinha com ele, mas esperar que eu seja sua amante, pode esquecer, titio.
A dona Neide estava na cozinha, fazendo o quê, eu não sei. Fui rapidinho para o meu quarto, pois era melhor não cruzar com a mulher nas próximas horas… Quem sabe, também nos próximos dias.

Continua.

Última revisão em: 25/03/2026.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Almas Gêmeas - Parte 17

<< SEGUNDA-FEIRA, dia seguinte ao passeio na cachoeira. Era véspera de feriado na cidade; o expediente foi normal na loja dos meus pais, situada no centro de Mogi.

Lá em casa, a Giovana grudou em mim enquanto eu me arrumava para sair; a criança ainda estava de férias e queria sair comigo. Dispensei a caçula, que ficou emburrada, e saí sem dizer aonde ia.

Peguei um ônibus e fui para a casa do Lucas; ele estava sozinho. Eu sabia que o professor tinha um compromisso no instituto naquela manhã.
Precisava que o Lucas me ajudasse em um plano para eu poder pegar as imagens do notebook do mestre Vilânio. Mas para o garoto eu diria que era o notebook do meu pai. Em minha inocência, eu pensava que ele poderia me dar um pen drive que eu ligasse no aparelho do homem e tivesse acesso aos arquivos para poder copiar, assim como acontece nos filmes.
Esse bate-papo precisava ser olho no olho; não arriscaria deixar rastros digitais em conversas online.

Brincando de esconde-esconde.

Mais tarde, a reunião no quarto do Lucas não foi produtiva. Depois de tudo que ouvi, percebi que a parada seria bem mais complexa do que imaginei, também muito mais perigosa.
Não poderia infiltrar o hacker no ateliê e não poderia trazer o HD externo onde o mestre armazena os vídeos… Ou poderia?
Pensaria em um plano B muito louco quando chegasse em casa, pois meu interesse momentâneo passou a ser outro lance; o boy estava me olhando daquela maneira que transbordava desejos.
— Por que me olha assim? — O que está rolando nessa cabecinha?
— Eu estou muito a fim de você, Gisele, queria te beijar.
— Assim, de repente? Eu sou a namorada do seu tio, esqueceu?
— Você disse que era complicado e não sabia se estavam namorando.
— Tá bom! Um a zero para os meninos.
— Isso é um jogo? Me ensina a jogar!
— Faz do seu jeito e vamos aprender juntos.
Ele envolveu minha cabeça com suas mãos, os dedos carinhosos introduzidos em meus cabelos. Abri ligeiramente meus lábios para receber sua boca na minha.
O beijo despertou um desejo de ir muito além. A química entre nós parecia que daria uma liga perfeita.

Nossas roupas foram jogadas em todas as direções durante a troca de beijos e amassos. Os corpos nus dividiam o pequeno espaço da cama de solteiro. As preliminares orais multiplicaram o desejo da consumação. Minha vagina ensopadinha recebeu o membro lubrificado de saliva… Ahh! O prendi numa chave de pernas quando chegou ao fundo. Aquele corpo cheiroso e morno em contato com o meu desligou todos os canais de notícias ruins. O filme de amor começou com nossos corpos mexendo bem devagar, sua respiração suave sincronizada com a minha.
Começamos a ficar ofegantes conforme o ritmo aumentava. No momento em que suas estocadas ganharam vigor, meus gemidos de prazer ficaram incontidos.

O percurso rumo ao clímax foi ligeiramente interrompido por um detalhe: ele estava sem camisinha e senti que fazia o impossível para segurar a ejaculação.
— Não quer gozar, amor?
— Dentro?
— Sim.
— Posso, mesmo?
— Deve! — disse e colei meus lábios nos dele.
Ahh! Ao primeiro espasmo do seu membro e à leveza do seu corpo aliviado da preocupação de uma gravidez indesejada, fez meu gozo chegar como uma onda de prazer e tirar meu fôlego naquele momento do clímax. O gozo a dois superou as minhas melhores expectativas; que foda gostosa.

Instantes depois, enquanto esperava o boy respirar um pouquinho, ria comigo mesma, pensando como foi mágico e delicioso gozarmos juntos. Acabei exagerando no elogio e na promessa impossível de cumprir.
— Meu Deus! Como você é gostoso. Faz tudo isso de novo comigo, que serei sua para sempre.
Ele sorriu e me deu um beijo.
Pensando bem, o elogio não foi exagerado; o bonito é muito delicinha.
Fiquei alisando seu pau molhadinho com o sêmen e o meu líquido. Troquei a mão pela boca para acelerar a ereção. Mas, de repente, a voz do professor Rodrigo ecoou lá embaixo.
— Lucas? Está aí em cima?
— Caralho! Meu tio.
— Puta que pariu! Ele não pode me ver aqui — sussurrei, desesperada.
Ele vestiu sua bermuda sem a cueca e abriu a porta do armário.
— Entra aqui, rápido!
Tive o bom senso de juntar rapidão e no desespero, a minha roupa espalhada pelo chão e jogar sobre o lençol bagunçado que exibia as marcas úmidas da nossa transa. Fiz uma trouxa e corri com ela para cima do balcão, sobre as gavetas. Fiquei em meio às camisas e cabides. Lucas fechou a porta e gritou:
— Já estou indo, tio.
— Estou subindo aí — foi o grito do Rodrigo, se aproximando do quarto.
Fiquei suando frio ao imaginar a vergonha e o constrangimento que poderia passar, caso fosse flagrada ali, feita uma fugitiva. O professor falaria um monte, colocando-me abaixo do chão, isso no mínimo.
O homem chegou no quarto em dois palitos; deve ter corrido escada acima.
— Deixa eu dar uma olhada naquela apostila que te emprestei; preciso copiar umas páginas.
— E este bonezinho rosa, cabe nesse cabeção? — No meu não cabe — disse Rodrigo.
— É de alguma menina do passeio de ontem. Veio no meio das minhas coisas.
Caralho! Esqueci o boné na mesa do computador, pensei, aflita.
— Será que os óculos são da mesma menina esquecida? — Vê se não tem alguma calcinha perdida aí também, hahaha!
Que porra! Meus óculos de sol também ficaram na mesa. Tentei lembrar se peguei mesmo a calcinha, pois usei a danada no meu primeiro encontro com o professor; ele reconheceria, eu acho. Ainda bem que ele ainda não me viu com os óculos e o boné; terei que dar um perdido neles, se sair daqui com vida, claro.
— Achei a apostila. Pode levar, tio, não estou usando agora.
— Beleza, eu devolvo logo. E vê se arruma esse quarto; tá uma bagunça e com cheiro esquisito. Não sabe que sua mãe é enjoada?
— É verdade. Eu já ia dar uma geral.

Felizmente, o homem foi para a casa dele, nos fundos, pois eu estava começando a ficar com cãibras. Recompondo minha roupa, saí rapidinho da residência, antes que chegasse mais alguém.

Continua.

Última revisão em: 25/03/2026.

Almas Gêmeas - Parte 16

<< APÓS O BRUTAL RITUAL SEXUAL em minha segunda passagem pela mansão dos horrores, entrei de férias escolares.

Seria só uma semana de descanso, tanto no colégio quanto no ateliê, mas, devido ao feriado municipal na terça-feira, ganhei mais dois dias e retornaria somente na quarta, 27 de julho. Foi providencial, pois meu corpo reclamava por repouso; todavia, o desgaste maior era mental, meu estado psicológico estava um caco. Aproveitaria o tempo de ociosidade para pensar num plano de liberdade que não prejudicasse a minha família.


A semana passou voando e já era tarde de sexta-feira; decidi curtir um pouco o restante das férias. Contudo, tive dificuldade em convencer meus pais a me deixarem ir a uma festa do pijama na casa de uma amiga. Era mentira, mas já havia combinado com minha amiga e cúmplice, caso alguém ligasse para ela.


Passava um pouco das 19h00 quando encontrei-me com o professor Rodrigo no shopping. Mais uma vez eu abusaria da sorte, mas a oportunidade de passarmos uma noite gostosa em sua cama valia o risco.


Pouco depois de chegarmos em seu endereço, rolava uma festa, não em sua residência (o puxadinho nos fundos), mas no sobrado da frente, moradia da sua irmã Neide. A aniversariante completou 38 anos. Com ela moravam o marido e o filho do casal.


Lucas, O Sobrinho


O Rodrigo havia comentado sobre o seu sobrinho Lucas (18 anos): “No momento, meu sobrinho nem estuda e nem tem um emprego formal. Completou o ensino médio ao final do último ano e agora dedica todo o seu tempo a tentar emplacar como divulgador de conteúdo nas redes sociais, dando dicas sobre tecnologia. O moleque também sonha em ser um hacker de prestígio, é esperto e tem talento.”

— Então vai se dar bem, né? — falei.

— Ou acabar na cadeia — disse e gargalhou.


Havíamos combinado de não demonstrarmos intimidades diante do pessoal. O homem tem o dobro da minha idade, mas, para nós, não é este o problema, e sim que o nosso envolvimento chegue ao conhecimento do pessoal do instituto.

“Somos apenas amigos”, seria nossa resposta aos curiosos. Não ia colar, mas talvez não gerasse um clima constrangedor na festinha da irmã.

— Mais tarde, em sua cama, voltaremos a ser amantes. — Combinado, professor?

— Combinadíssimo, meu amor.


Não fui favorecida pela ideia, pois, devido ao meu “status de solteira”, fiquei exposta a diversas cantadas dos homens e rapazes presentes: algumas discretas e outras nem tanto. Ainda assim, foi divertido e administrei na boa.


Houve um imprevisto durante a festinha: a obturação de um molar do Rodrigo soltou ao morder um caroço de ameixa indevidamente presente no recheio do bolo.

Ele deu sorte ao conseguir marcar uma consulta para a manhã seguinte, pois sentia dor e incômodo.


O homem saiu às oito da manhã daquele sábado; eu continuei em sua cama, aguardando o seu retorno, pretendia voltar para casa no meio da tarde.


Havia adormecido novamente e acordei ao ouvir um barulho vindo da escada caracol. Não tinha ideia das horas, mas só poderia ser o Rodrigo retornando. Fiquei propositalmente descoberta, nua, bumbum virado para a porta e fingindo dormir.

Eita! A voz apavorada enchendo o quarto não era a do professor.

— Tio! Seu carro não está lá na rua.

Era a voz do Lucas, o sobrinho.

Puxei o edredom para cima de mim e me virei. Minha cara era de pateta, claro. O garoto parou a menos de dois metros, talvez na expectativa de ver alguma parte nua.

— Desculpe, Gisele, não sabia que tinha dormido aqui.

— Tranquilo, o vacilo foi meu. — O seu tio foi ao dentista.

— Ah! Beleza… E aí, vocês estão namorando?

O rapaz me cortejou durante a festa, dei evasivas adiando uma resposta, ou seja, o deixei em banho-maria.

— Não sei ainda, acho que não, só estamos curtindo a vida. É meio complicado.

— Não entendi.

— É complicado por causa da nossa diferença de idade. Meus pais iriam pirar grandão se soubessem dessa parada.

— Acho que ia ficar embaçado mesmo.

— Então, Lucas, achei bem legal o seu canal no YouTube. Vou compartilhar com o pessoal do colégio.

— Valeu! Tô precisando, ainda não tenho interação suficiente para conseguir a monetização.

— Você manja bem de computação?

— Um pouco, ainda estou aprendendo. Meu tio me dá uma força.

— Mas, tipo assim… Você já é um hacker? Quero dizer… Consegue acessar um notebook mesmo sem ter a senha?

— Depende do tipo. Alguns, sim. Por quê?

— Eu preciso descobrir os podres de uma pessoa. Não é o seu tio, viu? É coisa minha. Mas deixa quieto por enquanto; quando precisar da sua ajuda, daí me diz se pode ajudar — falei e sentei na cama, segurando o edredom um pouquinho acima dos seios.

— Beleza, se eu puder, eu ajudo.

— Tô com fome. — Já tomou café?

— Ainda não. Estava indo comprar pão de queijo quando dei falta do carro. Vim correndo avisar o tio.

— Eu me contentaria com as sobras dos salgadinhos e um pedaço do bolo de ontem. Sem caroço, claro!

Nós rimos e ele demonstrou sua simpatia:

— Sobrou um bocado, vou lá pegar pra você.

— Que amor! Vou fazer um café fresquinho pra nós. — Joga essa camisa aí da cadeira aqui pra mim, por favor?

O carinha pegou a camisa social do Rodrigo e entregou-a em minhas mãos. Seu olhar foi uma flechada de desejos. Naquele instante, desejei ter o poder de ler mentes e ver as sacanagens rolando naquela cabecinha enquanto o bonito permanecia estático à minha frente. Considerei os prós: estávamos sozinhos, a cama à disposição, eu já estava nua e o boy transbordando de desejos. O contra era não saber quando o professor voltaria. Então, achei melhor adiar um pouquinho mais esse desfecho.

— Minha barriga está roncando, Lucas… Você não estava indo buscar a parada? — falei friamente.

Ele retornou de sua “viagem”.

— Estou indo. Volto logo com os salgados e um pedaço de bolo pra você.

— Ah! Traz pra você também e toma café comigo, vai! — falei, fazendo charminho, pois senti remorso por ter sido dura demais instantes atrás.

— Tá legal! — disse ele, animado novamente, e saiu caminhando rumo à escada caracol.

Eu deixei o edredom de lado, vesti a camisa e levantei. Ao começar a abotoar, levantei os olhos, mirando o espelho do guarda-roupas. Vi o reflexo do garoto no patamar da escada.

— Perdão, linda, mas não resisti — disse, demonstrando estar envergonhado.

— Seu safado! Só te perdoo quando voltar com aquelas delícias — falei, zoando.

— Estou indo e volto em dois palitos.


Algum tempo depois, o professor chegou enquanto eu e seu sobrinho ainda estávamos à mesa, de barrigas cheias, animados e jogando conversa fora. Eu trajando a camisa do homem e com as coxas de fora. Pelo menos estava de calcinha… Poderia não estar.

O Rodrigo havia feito compras: um pão de torresmo super elogiado; alguns pães franceses; frios e frutas.

Fiquei com um tremendo sentimento de culpa ao deduzir que a sua intenção foi agradar-me preparando um lauto desjejum a dois.

No entanto, sua decepção poderia ter sido pior, posto que minha libido chegou a níveis elevados, e o sobrinho parecia ser muito delicinha. Se o homem tivesse demorado mais meia horinha, teria me encontrado sem calcinha, deitada de costas no sofá, de pernas abertas e gemendo como uma cadelinha enquanto saboreava o vai e vem e o peso do boy sobre mim.

A menina generosa e de boas relações com todos estava se tornando egoísta, infiel e sem reconhecimento de culpa. Os poucos meses vividos no inferno chamado ateliê corromperam a pouca inocência ainda restante em mim.



Horas mais tarde, naquela noite, a minha irmã Giovana choramingava porque não foi para lugar nenhum nas férias de meio de ano.

Eu havia desistido de ir a um passeio, mas acabara de mudar de ideia e convidei a garota para passar o dia numa cachoeira da região. O Lucas havia me convidado para o passeio; ele e sua turminha passariam lá o dia de domingo. Havia lhe falado sobre o seu tio ficar chateado comigo caso soubesse que eu também fui.

— Ele não precisa ficar sabendo, Gisele, nem eu nem ninguém vai falar nada.

— Tá legal! Vou falar com meus pais.

— Vamos nos reunir às oito da manhã, lá na praça, e vamos todos juntos.

— Maravilha! Se der certo, estarei lá. Se não der, eu mando mensagem.


Minha irmã ficou animada e conseguiu, junto comigo, convencer meus pais a nos deixarem ir, e mamãe ainda nos levaria até a praça.


A manhã do domingo anunciava um dia quente e de muito sol. Estávamos todos reunidos na praça, quatro meninas e cinco rapazes. Partimos em dois carros rumo à cachoeira.


Foram precisos poucos minutos no lugar paradisíaco para eu ter uma surpresa da porra ao prestar atenção numa garota, passageira do outro carro. A novinha parecia ser mais velha do que minha irmã e mais nova do que eu. Já disse antes, sou exatamente três anos mais velha que minha irmã; nascemos ambas em 5 de junho.

A garota era séria e silenciosa; só ouvi sua voz quando ela tirou a camiseta e pediu para a sua colega passar o protetor solar em suas costas. Senti um choque e voltei toda a minha atenção à novinha: “Eu conheço essa voz.” Pensei.

Quando ela tirou o shorts… Bingo! A marca de nascença em seu bumbum, similar a um pássaro voando, eliminou meu restinho de dúvida.

“Caralho, mano!” É a garota da mansão. Pensei, super chocada. Contudo, mesmo se não tivesse avistado o seu “pássaro”, a teria reconhecido pela voz, assim como ela provavelmente reconheceu a minha. Digo isso porque fiquei intrigada com seus olhares enigmáticos nos momentos em que eu falava.

No instante em que ficamos muito próximas uma da outra, ambas com medo no olhar, foi emocionante demais. Queria abraçá-la a fim de tentar atenuar a dor em nossos corações. Porém, estávamos cientes das regras de mantermos a discrição e de evitarmos a interação.

Rapidamente disfarçamos os sentimentos que representavam perigo para nós. Ninguém poderia saber sobre nosso vínculo e que ele provinha daquele universo diabólico e mafioso.


Por sorte, o Lucas chegou até mim e minha mana; nós o acompanhamos para um banho sob a cachoeira.

— Aquelas meninas são namoradas? — perguntei-lhe.

— Não, são primas. A Cíntia (a novinha da mansão) não é de sair com a turma; a mãe dela é uma bruxa, parece que tem parte com o diabo, é muito estranha. A mulher proíbe a garota de sair; nem sei como o Roberto e a Nanda conseguiram trazer a Cíntia hoje.

O Roberto é irmão da Nanda e motorista do outro carro.


Naquele instante, eu parei com as perguntas e só tentei relaxar para curtir o dia com a turminha animada. Processaria tudo isso em outra oportunidade.


Continua.


Última revisão em: 23/03/2026.