domingo, 6 de janeiro de 2019

O Minotauro

Toda semana, um sujeito sem beleza, desengonçado e sem atrativos entregava água em minha casa e costumava flertar comigo. Ele era um pouco bobo, mas não era louco, já que só me assediava quando meus pais não estavam em casa. O problema era que eu quase sempre estava sozinha, e o entregador se mostrava cada vez mais seguro de que eu o aceitaria como namorado. Eu sentia pena dele, pois, embora fosse adulto, ele era bastante infantil. Às vezes, isso causava um certo medo, já que o sujeito era um gorila e levantava dois garrafões de água mineral de 20 litros, um em cada mão, e os colocava nos ombros sem esforço algum.


Um dia, decidi dar-lhe uma oportunidade, não porque ele me tivesse vencido pelo cansaço, nem porque me tivesse apanhado em um daqueles dias filosóficos em que eu não compreendia o sentido da vida e queria simplesmente dar um foda-se e deixar rolar. Eu só estava a fim de zoar, e claro que só criaria um clima para excitá-lo e cortaria a onda dele depois que as coisas esquentassem.


Precisaria de uma cúmplice um tanto imoral; pedi para a Jéssica passar em casa depois do almoço. Quando ela chegou, eu resumi o meu plano doido.

— Não acredito que você terá coragem de fazer tudo isso — disse a Jéssica.

Continuei explicando com detalhes:

— Você fica ali na área de serviço, espiando pela fresta da porta meio aberta. Assim que eu levar a cantada de sempre, vou surpreender o cara e convidar para transar. Após colocar a camisinha nele, eu tiro a minha calcinha.

— Hahaha, você é louca, Mila.

— Presta atenção, miga, é nessa hora que você vai para a porta da sala, ok?

— Entendi, fica fria!

— Nesse meio tempo, eu faço um charminho e posiciono-me debruçada na mesa, oferecendo-me. Então você abre a porta e grita meu nome. E tenta imitar a voz da minha mãe ou da sua.

— Vixe! Aí é difícil.

— Então, só grita meu nome do seu jeito. Eu não quero é ser enrabada pelo monstro, hahaha.

— Acho que isso vai dar merda, Mila. E se o doido quiser comer nós duas à força?

— Ele não é doido, é só um crianção. E nós somos duas.


A amiga não ficou muito convencida do meu plano; ela participaria a contragosto. Concluí que não fui muito feliz na escolha da cúmplice; era um tanto lerda, ainda assim levei a brincadeira adiante. Liguei pedindo urgência na entrega da água.

Quinze minutos depois o cara tocou a campainha. A Jéssica foi para a sua posição.

Eu trajava apenas o camisetão de dormir e a calcinha. Atendi o entregador e o levei para a cozinha. Quando o desengonçado se certificou de que estávamos sozinhos, começou com seus papos furados. Disse que eu era linda e pediu para namorar com ele, como fazia sempre. Eu já entrei de sola, agilizando o assunto, antes que a Jéssica estragasse tudo.

— Eu não quero namorar com você, mas podemos transar se quiser. Tá a fim?

Ele balançou a cabeça várias vezes, dizendo que estava a fim, deu alguns grunhidos estranhos e ficou alegre como uma criança que ganha o presente tão esperado no Natal. Eu peguei o preservativo que havia deixado preparado.

— Desce as calças e senta aí!

— Tirar as calças aqui?

— É, Jamanta, você não quer transar?

— Eu quero. — Eu não chamo Jamanta, é Cláudio — ele falou com certa mágoa.

Eu já sabia que era Cláudio, mas não tinha como não compará-lo com o Jamanta da novela Belíssima.

— Eu sei, Cláudio, desculpe, só estava brincando. — A gente tem pouco tempo, minha mãe não vai demorar muito. Desce as calças e senta para eu colocar a camisinha.

Ele desceu o jeans até os pés e ficou olhando para mim. Parecia envergonhado, pois seu pênis já estava ereto e fazendo um volume absurdo por dentro da cueca surrada e de tamanho inferior ao apropriado para aquele ser peculiar.

— Desce a cueca também, Cláudio, e senta aí!

Cheio de vergonha, ele desceu a cueca, depois apontou, perguntando se era aquela cadeira.


Fiquei impactada com a cena; até tentei falar, mas só fiz um sinal dando a entender que sim. De olhos arregalados, sentindo um misto de surpresa e pavor, comecei a abrir a embalagem do preservativo. Virei olhando disfarçadamente para o vão da porta e dei um sorrisinho nervoso, quase aterrorizado. “Acho que preciso de um preservativo maior, miga”. Pensei. O cara era deformado; aquilo era o pau mais estranho do mundo, um pepino gigante, torto e curvado para cima. Também parecia um cone; a cabeça era fina e engrossava absurdamente até chegar à bola. Sim, ele tinha apenas uma bola, no singular, mas essa valia por três.

Respirando fundo e cheia de coragem, cobri parcialmente aquele membro estranho com o preservativo. “Meu Deus, o que é isso?” Pensei. Estava quase desistindo da brincadeira; também achei que daria merda. Contudo, meu vício pelo perigo tomou a dianteira. Fiquei em pé, virei-me de costas para ele, tirei a minha calcinha, deixando-a sobre o balcão próximo da porta. Aproveitei para fazer caras e bocas e um sinal discreto com a mão para que a amiga fosse para a porta da frente.

— Vamos lá? — falei após virar e caminhei lentamente em direção à mesa.

— Pode ficar em pé. E faz devagar, tá? Você não vai me machucar, né?

Ele só balançou insistentemente, dando a entender que não me machucaria.

Deduzi que minha amiga já estaria com a mão na maçaneta da porta. Subi um pouco a camiseta, deixando a bunda de fora, e deitei o tronco na mesa, ficando em uma posição de noventa graus. Virei o rosto olhando para ele.

— Vem, Jamanta… Desculpe, Cláudio!

Ele veio arrastando os pés e quase caiu.

— Eu vou tirar a calça.

— Não, não tira! Daí terá que tirar o tênis e, se chegar alguém, ficará difícil vestir tudo de novo. — Vem assim mesmo, devagarinho.

Ele se aproximou com cuidado, encostou em mim e guiou o pau com a mão. Quando senti a pontada da cabeça miúda rondando na “boca do gol”, eu tentei ganhar tempo, pois não estava entendendo a demora da Jéssica.

— Espera um pouco, deixa eu tirar minha camiseta.

Levantei o tronco e fui caminhando em direção à porta, tirando o camisetão. Não vi a Jéssica; deduzi que ela entraria a qualquer momento na sala. Pendurei a roupa na maçaneta da porta e, peladinha, girei meu corpo fazendo graça.

— Melhor assim, né? — gracejei.

O Jamanta, sem tirar os olhos de mim, balançou a cabeça em um sim. O seu pau parecia pulsar de tão rígido. Receosa, voltei para minha posição na mesa. Não compreendia por que a Jéssica não entrara ainda. Será que estava escondida, observando e esperando meu grito de socorro? Eu gritaria mesmo, caso ela deixasse aquele monstro me enrabar.

Ele partiu para uma nova tentativa; toda aquela demora não tirou sua ereção, seu pau parecia cada vez mais duro. A glande minúscula, somada à curva para cima, facilitava a penetração inicial.

Puta que pariu! Gelei quando senti a cabeça dentro. “Cadê você, Jéssica, sua puta?” Pensei com raiva. Tentei ganhar mais um tempo.

— Para, para, Cláudio, tá ouvindo? Tem alguém chamando.

— É VOCÊ, JÉSSICA? — eu gritei… E, claro, não houve resposta.

O jamanta permanecia quietinho. Segundos depois, ele disse baixinho:

— Não estou ouvindo nada.

Nesse ínterim, seu pau avançou alguns centímetros em minha boceta, e nem era ele quem forçava… Fui eu que instintivamente iniciei um leve rebolado. Acho que havia me conformado e até gostado da situação. A “amiga da onça” aprontou comigo, saiu fora e deixou-me sozinha nessa roubada. Contudo, o tesão do momento superou minha repulsa pelo Jamanta. Estava ensopadinha e entregue ao ato.

— Que se foda! Vai, Cláudio, enfia logo essa porra toda!

— DEEEUUUSS!!! Meu gemido ecoou pela casa quando aquela coisa disforme e monstruosa foi fundo até tocar o meu colo do útero. Suas bombadas começaram rápidas como cães se acasalando.

— Mais…de…vagar…porra! — falei com a voz trêmula.

A santa elasticidade não permitiu que ele me rasgasse, já que a base daquela coisa era mais grossa que uma mão fechada. Chorei como uma cadela enquanto recebia seus golpes vigorosos e uivei ao ser agraciada com um orgasmo múltiplo que veio em ondas.

Ele demorou um pouquinho a gozar, mas, quando o fez, sua ejaculação e pulsações não paravam mais. Tive medo de a borrachinha não suportar tanta pressão e líquido. Mesmo assim, curti o momento do meu clímax animal.

Por fim, veio o alívio quando ele diminuiu o ritmo até parar de me golpear.

Aquele búfalo ofegante continuou em cima de mim, e eu também estava com dificuldades em respirar, ainda mais tendo aquele contrapeso em minhas costas. Seu pau já havia amolecido.

— Levanta, Jamanta, desculpa, Cláudio!

Ele levantou o tronco e tirou seu nervo bizarro de dentro, mas a camisinha ficou. Puxei com dois dedos e senti uma pressão na saída; estava cheiinha de porra e quase do tamanho de uma bola de tênis, porém intacta. Mesmo assim, fiquei com medo de ter vazado dentro.

— Vai, “homi”, se veste logo e vai embora antes que minha mãe chegue. E se você contar pra alguém, eu te mato e me mato depois.

— Eu não conto pra ninguém.

— Então jura por Deus!

— Eu juro!

— E também por sua mãe!

— Eu juro!

Eu nem sabia se aquela coisa tinha mãe.


Depois que ele se foi, primeiro liguei para a Jéssica, mas a vadia covarde não atendeu. Deixei um recado ameaçando-a de morte lenta e dolorida. Depois, durante meu banho, fiquei pensando se havia cometido um crime de abuso de incapazes.

Descartei a possibilidade, pois o “Jamanta” pareceu-me bem capaz, contudo, só um tanto infantil, hahaha.


Fim.


Última revisão em: 06/06/2026.


2 comentários:

  1. Vc escreve muito bem. Adorei o relato. Parabéns

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  2. Obrigada, Silvia. Desculpe responder tanto tempo depois. ´|E que esse meu blog é muito louco. Bjs!

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