quinta-feira, 14 de junho de 2018

15 - Ao Seu Lado

Manhã de terça-feira.
Acordei e de imediato pensei no Matheus. Estava angustiada por ainda não ter notícias do coroa e nem ideia do que poderia ter ocorrido.
Olhei para o despertador… Aff! 9h35, desconfiei que acordei por um ou dois segundos, desliguei o bicho, silenciando seu apitinho irritante, e continuei a dormir. Teria que fazer tudo correndo, pois estava uma hora atrasada para começar mais um dia de rotina.

Posteriormente, ao chegar à agência, descobri que não havia cliente marcado para mim; fiquei aliviada. Apenas cumpriria meu trabalho de algumas horas no evento e estaria disponível para o encontro que teria naquela noite. Não seria preciso inventar uma justificativa para recusar o trabalho noturno.
Conversei com o Paulo Henrique pelo celular durante o dia; ele pediu que eu escolhesse o lugar onde iríamos jantar. Como considerei que o principal objetivo de nosso encontro seria celebrar o grande negócio que ele havia fechado, optei por um local descontraído, animado e com música.

Por volta das 22 horas, encontrei-o perto do lugar que escolhi: uma choperia da qual ouvira falar bastante a respeito de seus pratos saborosos e chopp maravilhoso. Não era longe, mas raramente havia um momento livre para explorar o local. Naquela noite, houve música ao vivo, com predominância de MPB e um toque de rock brasuca dos anos 80 e 90.
Apesar de a fachada parecer uma igreja, foi diversão garantida, com comidas e bebidas deliciosas e companhia maravilhosa. Que peninha, o tempo voou; passava bastante da meia-noite quando saímos para terminar a noite em sua casa.

A cama king size dele, com lençóis branquinhos e um perfume leve e fresquinho que remetia à fragrância de orquídeas, era extremamente confortável. Pelo controle remoto, ele ligou o som, e a fuck music foi gasolina para minha fogueira que já ardia (Barry White - Just The Way You Are). Talvez ele pensasse na ex quando escolheu a música; contudo, ele estava comigo naquele momento e isto era o que importava.
Com seus lábios nos meus, o quarentão caminhou comigo, deitou-me em sua cama e começou a me despir. A cada peça de roupa que retirava, o local onde ela se encontrava era acariciado. Foi assim com meus pés após tirar meus sapatos e, a seguir, calça jeans.
Muitas carícias depois, minhas roupas repousavam pelo chão do quarto, e eu estava apenas de calcinha. Meus mamilos eriçados denunciaram o quanto eu estava excitada.
Ele se ajoelhou na cama, acariciando minhas pernas, beijou meus joelhos e foi descendo, beijando com carinho até meus pés, e chupou meus dedos de forma sedutora. Eu vibrava de desejo, ansiando por sentir a fusão dos nossos corpos. Queria entorpecer-me com seus beijos e incendiar-me com seu calor.
Extremamente sedutor, ele se alojou entre minhas pernas flexionadas, deitando seu corpo sobre o meu… Ah! Como não estremecer sentindo seu beijo quente que me fez delirar? Não conseguia controlar meu corpo e o alisava com os movimentos de minhas pernas, contorcendo-me como se fosse um réptil, enquanto deslizava minhas unhas acariciando suas costas nuas. Quis morder seu corpo, que emanava um leve aroma de cravo-da-índia; um perfume quase alucinógeno.

Seguiram-se os arrepios com sua boca deslizando em meu pescoço a caminho dos meus seios. Durante uma breve parada, saboreou meus bicos inchados de tesão e prosseguiu até meu ventre. Seus lábios deslizavam em sincronia com suas mãos, que puxaram minha calcinha até os meus pés. Dobrou minhas pernas e deixou-me abertinha… Ahh! Quando ele alojou sua boca em meu sexo, eu ronronei entre gemidos; aquele homem realmente sabia como enlouquecer-me.

Na manhã seguinte (quarta-feira), acordei cedo e evitei fazer movimentos que acordassem o homem. Ele dormia tão gostoso. Sorri como uma boba ao pensar: "será que ele sonhou comigo?" Fiquei viajando em meus pensamentos e, apesar de ter tido o suficiente, lamentei que a noite tivesse chegado ao fim; eu sempre quero mais. Foi maravilhoso dormir aninhada em seus braços e sentir-me segura e protegida, assim como me senti naquela noite.
Mas logo despertei do sonho de fadas e voltei a pensar nos problemas atuais. Questionei a mim mesma: e se apenas eu soubesse do sumiço do Matheus? Antes que pensasse em uma resposta, voltei minha atenção para o meu companheiro de cama, que acordou com cara de preguiça e um sorriso maroto. Ganhei um beijo de bom dia e um pedido de que eu ficasse para o café. Durante o desjejum, eu contei sobre o perdido do Matheus em Camboriú e minhas tentativas de contato. Eu não queria envolvê-lo em meus problemas, no entanto, não conseguia mais segurar sozinha, precisava dividir isso com alguém experiente e que pudesse orientar-me.
A princípio não dei muitos detalhes; se eu percebesse desinteresse por parte dele, eu deixaria quieto. Contudo, fiquei animada quando ele demonstrou interesse e também achou estranho o homem nem ao menos ter ligado. Ele quis saber se aconteceu algo entre nós ou se notei algo diferente.
Contei com mais detalhes, iniciando pelo telefonema que o coroa disse ter recebido de sua casa no final da tarde de sábado e sua ida para lá depois que jantamos com os dois homens de negócios (descrevi os homens e partes da conversa).
Relatei a presença surpresa do Nícolas, minha fugidinha com ele e que o danado me abandonou no casebre.
Ele quis saber quem era Nícolas. Expliquei que não sabia nada da vida dele, contei sobre seu assédio meses atrás no resort e tudo que rolou entre nós naquele primeiro encontro.
— Não pense que sou uma vadia, é que eu curto muito esses lances proibidos.
Ele sorriu e disse que o proibido é mais gostoso e que eu estava certa, mas afirmou que era estranha a presença do cara.
Contei que filmei o gato com meu celular no primeiro encontro (sem que ele desconfiasse) enquanto fingia verificar mensagens. Era somente para recordação.
— Poderá ser útil agora para sabermos mais a respeito — deduziu o Paulo Henrique, e perguntou se eu ainda tinha as imagens.
Entrei em meu e-mail, localizei o vídeo em uma pasta e enviei para o e-mail dele a seu pedido. Ele iria pesquisar.

Na manhã seguinte, quinta-feira, voltei à casa dele, pois ele tinha novidades para me contar pessoalmente. O resultado do exame e o seu diagnóstico me deixaram tão abalada que, se não estivesse sentada, eu teria desabado. O Nícolas era um policial de elite do BOPE de Santa Catarina. Ele foi destituído de suas funções e está sendo processado por corrupção.
Para piorar, ele estava trabalhando para o advogado da família da mulher do Matheus. Meu coroa e os membros da família da mulher vivem em constante conflito por causa de negócios (segundo as fontes do Paulo Henrique).
Ele estava me assustando com suas informações, disse que, se ocorresse do Matheus morrer, a mulher e os filhos seriam os únicos herdeiros.
Meu anfitrião esperava mais informações de uma pessoa que estava sondando o assunto. Minutos depois, ele recebeu uma mensagem no WhatsApp; era um vídeo de um jornal local lá de Blumenau sobre um carro encontrado no Rio Itajaí-Açu. Ele dizia que, na tarde do último domingo, um Ford Focus Sedan preto foi içado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Itajaí. O veículo estava a uma profundidade de 5 metros. Aff! Senti um baque; era idêntico ao carro que o Matheus alugou.
O carro só foi descoberto porque policiais rodoviários que passavam pelo local na manhã do mesmo dia perceberam a vegetação amassada formando uma trilha até o rio. Depois de pararem para examinar, concluíram que algum veículo saiu da estrada, atravessou a vegetação e mergulhou no rio.

Informações fornecidas pela delegacia onde foi registrada a ocorrência: o carro foi alugado na tarde de sábado em Balneário Camboriú pelo empresário Matheus Weber. Não foi encontrada nenhuma vítima no interior do veículo e o empresário não foi localizado até o momento. A família ainda não se pronunciou publicamente e os mergulhadores da equipe de resgate continuam a busca.

Fui para casa mais nervosa do que antes; no entanto, recusei-me a pensar no pior. O coroa não era do tipo de pessoa que vacilava. Acreditei que ele apareceria em breve e daria alguma explicação. Lembrei que precisava retirar meu dinheiro e minhas joias do guarda-volumes da rodoviária. Estava morrendo de curiosidade em saber o que havia na valise do Matheus, que também estava dentro do locker. Talvez dentro dela houvesse alguma pista do que estava acontecendo.
Fiquei com medo de ir retirar, pois o Paulo Henrique disse que, se havia alguma conspiração contra o homem, era melhor eu ficar distante de tudo para não correr perigo.
Droga! Eu queria minhas coisas, já que minha ideia era dar um perdido, ficando alguns dias fora de Campinas. Achei melhor não ir pessoalmente à rodoviária; no entanto, poderia pedir para alguém de confiança… "A Yasmin, minha escudeira, ela poderia pegar para mim", pensei. Voltei correndo para casa a tempo de encontrá-la antes que fosse malhar. Eu não diria nada sobre o que estava acontecendo, pediria somente que ela faltasse na academia e quebrasse este galho pra mim.

Adoro esta garota; enquanto eu fui para a academia, a meu pedido, ela foi para a rodoviária. Saiu minutos depois, levando uma sacola de loja que trouxemos nas últimas comprinhas.
Minha recomendação foi para que trouxesse tudo que estivesse no locker, fizesse o pagamento e encerrasse o aluguel. Quanto às perguntas que ela fazia… pedi que deixasse para depois. Ela era doidinha, mas era responsável e sabia guardar segredos.
Havia insistido para que a Yasmin voltasse de táxi direto para casa, apesar da distância curta, e que me avisasse no Whats assim que entrasse no carro. Ela já sabia que estaria carregando coisas de valor. Estava ficando neurótica com o ocorrido e as precauções do Paulo.

Recebi a mensagem da amiga e voltei correndo pra casa. Cheguei na portaria e não a vi. O porteiro disse que também não a viu. Fiquei apreensiva; ela e o táxi teriam que ter chegado antes de mim. Corri de novo para a calçada; bateu um alívio e também raiva ao vê-la caminhando como se retornasse do shopping.
— Puta merda, Yasmin, eu insisti que voltasse de táxi.
— Eu vim, Mila, mas você acredita que ele quebrou ali na esquina?
Arrastei a amiga até o meu apto.; estava ansiosa para conferir logo o conteúdo da sacola.
— Ah! Meus bebês. — Toda feliz, eu beijei meus brincos, depois beijei a amiga nas duas bochechas e agradeci muito.
Ela queria saber se eu estava envolvida em alguma coisa ilegal. Sorri e disse que não; era um rolo do meu tio, mas não tinha nada de ilegal. Depois eu contaria com calma o que estava acontecendo e que ela poderia ficar tranquila.

Eu não recebia com muita frequência o Matheus em meu apartamento e, quando vinha, nunca ficava para dormir. Por ser um empresário que já apareceu na mídia local algumas vezes, corria o risco de ser reconhecido e começariam a especular sobre o que ele fazia no apartamento de uma novinha.
Para a Yasmin e o Geraldo (rapaz da portaria), eu falei que ele era meu tio, quase um tutor, era irmão do meu pai que morava no México e que minha mãe morava lá também; eles tinham se divorciado.
A minha amiga e todos do prédio não sabiam que eu era garota de programa; achei melhor que não soubessem, procurei manter o segredo o máximo possível.

Assim que a Yasmin saiu, eu escondi os brincos e a valise que ela trouxe do guarda-volumes da rodoviária. Ocultei em um local improvável de alguém achar, caso tivesse alguma visita indesejada em meu apto. Depois daria um jeito de abrir aquela coisa e também a bolsa da praia.

A seguir fui para a agência; estava decidida que seria o meu último dia caso não tivesse um programa para mim naquela noite. Eu tinha um registro como promotora de eventos e ganhava por horas trabalhadas, mas o valor não cobria um quinto dos meus gastos. O que pagava o grosso de minhas contas era o que eu ganhava com os encontros pagos. Tinha decidido que, se meu chefe continuasse a castigar-me reduzindo meus clientes, eu pediria as contas da agência, pois não valeria a pena continuar presa a um booker; iria me virar sozinha. Naquele instante, eu estava muito mais preparada do que quando comecei a atividade.

Em minhas preces eu pedia: "Aparece logo, Matheus, não sei por quanto tempo continuarei esperando por você".
Por coincidência, ouvi uma canção vinda do rádio: Sade - By Your Side.
Só então me dei conta do quanto gostava do Matheus.

Continua…

Última revisão em: 18/05/2026.

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