quinta-feira, 25 de junho de 2026

Golpe do Baú 2 - Trégua para Transar

No dia seguinte à proposta de noivado, cheguei ao trabalho transbordando contentamento, mas não contei a ninguém o motivo. Quando perguntavam, apenas dizia que estava de bem com a vida. Era uma forma de me proteger das hipocrisias e reações negativas dos invejosos.

Graças à indicação de um amigo, estava há dois meses naquele escritório de advocacia, em caráter de experiência, no cargo de assistente de secretária. Até o dia anterior, ansiava por ser efetivada; o salário era acima da média e havia os demais benefícios. Em face dos meus problemas financeiros atuais, dependia daquele emprego formal para custear algumas das minhas despesas.


Era o segundo dia consecutivo que um cinquentão de porte altivo e muito simpático vinha ao escritório, e eu devo tê-lo contagiado com minha alegria, devido a trocarmos olhares e sorrisos durante suas duas breves passagens defronte à minha mesa. Inclusive, deu-me uma piscadinha e nossa conexão foi imediata.

Escutei um dos advogados conversando com a secretária Iolanda Aparecida, minha superior, dizendo que o acordo foi fechado e que a indústria representada pelo homem seria um dos principais clientes do escritório. 


Coincidiu de o simpático descer comigo no elevador ao final do meu expediente. Rolou um clima suave; passei a chamá-lo apenas de Geronimo, a seu pedido, e aceitei prontamente o convite para um happy hour de terça-feira em um bar próximo.


O bate-papo com o cara charmoso ficou animado, a ponto de eu dar o bolo em meu namorado; mandei mensagem alegando que estava ajudando uma amiga adoentada.


A conversa maliciosa estava agradável até o final do segundo drink, foi quando ele expeliu seu discurso alinhado com a extrema-direita, em defesa dos traidores da pátria que praticaram um golpe de estado e que continuam lambendo as botas dos americanos. Isso tira o tesão, mas não me surpreendeu; partindo de um grande empresário, pois são raros os que são progressistas.

No entanto, acabei relevando quando o homem experiente e safado tentou contornar o clima ruim que havia criado ao dizer que apoiava a redução da escala 6x1. Evidente que era mentira e sua intenção era terminar nosso encontro em uma suíte de motel.

Eu também estava a fim de transar e antevia que teria satisfação garantida com o homem experiente. Não estragaria a nossa noite. Deixei temporariamente de lado meus ideais políticos e saímos do barzinho com o propósito de encontrarmos um local discreto para praticarmos uma safadeza gostosa.

Ele pegou seu carro no estacionamento e comentou sobre um motel muito show em que eu era assídua, mas menti dizendo que não conhecia motéis.

— Gostaria de conhecer? — perguntou-me.

— Já que você insiste tanto… Bora, lá! — respondi, fazendo graça e carinha de sapeca. 


O homem não era pão-duro; escolheu uma das melhores suítes de um motel classe A.

— Uau! Que luxo, amei. Só falta uma música legal para combinar — disse eu, e me encaminhei direto até o painel Autonav na cabeceira da cama. Coloquei um som para rolar.

— Você não disse que não conhecia motéis, Kamilinha?

— Então… eu tenho só a teoria que aprendi com a minha tia — falei sem olhar para ele. Fiquei me sentindo completamente humilhada; tamanha foi a minha mancada. Felizmente, ele se comportou como um verdadeiro cavalheiro, mudou de assunto e mencionou que, antes de tudo, iria tomar um banho, começando a se despir.

— Também vou, mas antes, ouve essa música gostosa. Vou dançar para você.


Eu estava me sentindo alegrinha por causa dos drinks que tomei no bar. Subi na cama e comecei a serpentear o corpo, dançando ao ritmo suave da melodia. Desabotoei a blusa, retirei-a calmamente e a joguei para o lado. Após virar de costas para ele, rebolei sensualmente enquanto descia a saia.

Com apenas duas peças de lingerie no corpo, dancei, fazendo gestos provocativos para o meu espectador peladão.

— Nossa! Que calcinha é essa, Kamilinha? Você está na maldade, né?

Minha calcinha branca de rendinha destacava os meus grandes lábios. Sorrindo, continuei o ato de despir-me de forma lenta e sensual. Tirei o sutiã e balancei o tronco, como se oferecesse meus seios para ele. Excitei o homem e seu membro enrijeceu sem a necessidade de contato íntimo. Ele invadiu meu “palco”, a cama king size.

— Eu não aguento mais de tanto tesão — disse ele e deitou comigo. Depois do beijo ardente de desejos, fez festa em meus seios e, logo após, a brincadeira festiva foi em minha vagina. Retirou delicadamente a minha calcinha e alucinou-me com sua língua vibrante e atitudes gulosas.

Não tive chance de retribuir-lhe o oral, pois pegou-me de quatro logo na sequência, dando golpes deliciosos em minha boceta, que me fizeram uivar como uma cadela ao atingir o momento maravilhoso do clímax.


A ducha ficou para depois da rodada de drinks e, na sequência, a segunda etapa da transa aconteceu com ainda mais intensidade.

Em certo momento, o integrante da fauna bolsonarista, que tenta rasgar a Constituição com a farsa da “dosemetria”, tentava fazer o mesmo com a minha bunda.

— Ooooh! Seu bruto, você está judiando de mim — atuei ao falar, toda manhosa.

— Essa é a bundinha mais gostosa do mundo — disse o sádico, dando tabefes sem sutilezas. Contudo, era muito gratificante sentir toda sua energia dentro de mim, socando fundo e sem piedade.


Por fim, com ambos satisfeitos e promessas feitas para um novo encontro que ocorreria em breve, fomos embora, cada um para sua residência.


Contarei mais em alguns dias.

Beijos!









quinta-feira, 11 de junho de 2026

Golpe do Baú 1 - Quase Noiva

Para os que ainda não me conhecem, meu nome é Kamila. Também sou Mila ou Kamilinha para os conhecidos. Não sou Kami.

Os dias não têm sido fáceis para mim; no entanto, recentemente surgiu uma faísca de esperança e, felizmente, não era um curto-circuito. Vou contar como foi.


Não faz muito tempo que conheci o George; foi na Galeria do Rock, em uma loja de discos de vinil, onde procurava um presente para o meu pai, um roqueiro das antigas. Era início de noite de quinta-feira; continuamos a conversar em uma lanchonete após nossas compras. Contou-me que trabalhava com sua mãe em uma fábrica de roupas de propriedade da família.

O George não era bonito, muito menos delicinha, mas era asseado. Não era inteligente, mas era um ouvinte atencioso. Rolou uma conexão, pois eu estava carente e buscando estabilidade física e financeira após conseguir me desvincular de um relacionamento tóxico. Aquela parecia ser a oportunidade que esperava de ficar rica sem precisar me tornar uma “laranja”, praticar rachadinhas ou explorar a fé de pessoas humildes, atraindo-as para uma seita alienadora e mentirosa disfarçada de igreja evangélica.


Voltamos a nos encontrar na noite seguinte para assistirmos ao filme “O Agente Secreto”.

Saímos do cinema abraçados e, na praça de alimentação, já nos considerávamos namorados. Afinal, ele era simpático, solteiro, da minha idade, saudável e filho de uma empresária conhecida no ramo das confecções. Vocês devem estar pensando que meu interesse foi apenas na herança da futura sogra, né? Tá bom! Podem jogar pedras agora; foi por isso mesmo.


Tivemos cinco ou mais encontros em dez dias; ele já me fazia juras de amor e queria transformar nosso namoro em compromisso sério.

Ainda não tínhamos praticado sexo, não por eu ser casta e comportada — vocês me conhecem, né? Costumo “sarrar” até com poste engravatado. Mas, com o George, adiei a transa, porque eu via nele uma possibilidade de casamento e estava jogando com algumas regras novas.


A possibilidade de matrimônio crescia a cada encontro, pois a companhia do único herdeiro da empresária era agradável e eu ansiava em ser nora de uma multimilionária.


A terceira semana de namoro começou promissora; recebi uma sondagem sobre noivado em plena segunda-feira. O pedido oficial, caso eu aceitasse receber o anel de compromisso, aconteceria já no sábado seguinte em uma festa de bodas de cristal. A mãe empresária havia se casado pela segunda vez, um ano após seu marido, pai do George, falecer. A nova união estaria completando 15 anos.


Evidente que fechei o negócio, digo, aceitei o pedido. Como agradecimento e imaginando um anel com um solitário de muitos quilates, fui carinhosa ao extremo ao final do encontro daquela noite, no interior do carro de vidros escuros estacionado poucos metros antes da portaria do meu prédio. Até desci a calcinha um pouco para que ele pudesse me tocar com mais liberdade. Porém, não funcionou; não alcancei o prazer devido à sua falta de habilidade manual. Simulei um orgasmo, contorcendo-me e gemendo, com o objetivo de elevar sua autoestima.

— Seu danado! Você me fez gozar gostoso demais — menti, descaradamente.

Depois foi a minha vez de chupá-lo e, enquanto saboreava gulosamente o seu pau apetitoso, o meu fogo acendeu. “Quem sabe o desempenho do herdeiro seja melhor transando?” Pensei e fiquei com desejos de senti-lo dentro. Estava a ponto de livrar-me da calcinha e sentar com a boceta na piroca do boy para foder gostoso. Era improvável que corrêssemos o risco de sermos vistos, devido ao horário avançado.

Porém, antes que colocasse o meu plano em ação, ele gozou, enchendo a minha boca com seu leite viscoso. Continuei chupando, engolindo e refleti melhor naquele instante; decidi continuar adiando o coito.

Obviamente, ele ficou satisfeito com o boquete; no entanto, disse que não aguentava mais de vontade de transar comigo e que, por ele, nós casaríamos o quanto antes.

Agora sim que eu não iria mesmo ceder; esperaria a noite de núpcias, torcendo para dar tudo certo.

Por fim, continuei sendo amorosa e agradeci quando ele prometeu que saberia esperar. Fiquei na torcida para que não houvesse empecilhos para o nosso noivado, uma vez que ainda nem conhecia a mãe do George. Ainda assim, já fazia planos de começar o trabalho de agilizar o casamento logo após ganhar o anel de noivado.


Contarei mais em breve.

Beijos!


terça-feira, 7 de abril de 2026

Almas Gêmeas - Parte 30: Final.

Giovana, o retorno.
<<DURANTE DIAS E NOITES, continuei sentindo a presença da Giovana. Ficava agoniada por não conseguir entender o sentido de tudo isso; queria ouvir alguma recomendação daquela energia da outra dimensão, mas era como se ele tivesse me ordenado: “Você agora está por sua conta, vai lá e faça a sua parte. Voltaremos a conversar quando você morrer outra vez.”

Mas eis que, na penúltima noite de internação, a minha crença em milagres foi reforçada. Isso aconteceu quando estava sozinha no quarto do hospital.
“Meu Deus do céu! O que aconteceu, Gisa? O que você está fazendo no meu corpo?”
Minha irmã Giovana falou comigo pela primeira vez, por telepatia, igual nos sonhos: a gente entende o que a pessoa está falando, mas não tem som. Não fiquei surpresa, nem me assustei; ansiava por esse momento desde quando acordei no corpo dela, sentia em meu íntimo que sua alma permanecia ali.

Respondi à sua pergunta, emitindo som normalmente.
— Não foi ideia minha, Gi, estou tão confusa quanto você.
"O que você fez que eu não consigo mexer meu corpo? Eu só o sinto."
— Não fiz nada, eu juro.
"Não precisa ficar gritando, sua louca, fala em pensamento."
A Giovana tem um QI um pouco acima da média; seu raciocínio lógico faz a gente parecer burra. Parei para raciocinar, então falei com ela como se falasse comigo mesma, em pensamento.
"Você consegue me ouvir?"
"Consigo."
“Acho que funciona só quando eu realmente tenho a intenção de falar com você."
“Faz sentido”, disse ela.
"Então você não ouve meus pensamentos?"
"Não ouço." Você ouve os meus, Gisa?"
"Peraí, deixa eu ver. Hmmm… Você está pensando agora?" — perguntei.
"Estou pensando em como me livrar de uma louca que habita em mim."
"Para de me chamar de louca, Gi! Ou vou acreditar que sou mesmo."
“Sou mesma.”
“Sou mesma o quê?”
“Deixa pra lá.”

Em resposta a uma de suas múltiplas perguntas, informei sobre a transferência de Mogi das Cruzes para o Hospital das Clínicas em São Paulo, devido à severidade do trauma cerebral. Depois, menti, dizendo desconhecer o estado clínico da mamãe e do papai. Estava juntando coragem e palavras para confirmar a morte, a qual foi extremamente dolorosa para mim. Seria tanto quanto para a caçula, mesmo ela já imaginando ter sido esse o resultado. Cheguei a essa conclusão quando ela tentou relatar suas lembranças do instante do acidente até despertar e me encontrar ocupando seu corpo.

"Ver aquela cena angustiante: você, papai e mamãe, tão feridos e inertes diante de mim, foi um sofrimento indescritível. Senti vergonha e um remorso imenso por ter causado a confusão absurda minutos antes.”
“Ao ser levada para o interior do carro de resgate, meu desejo era nunca ter existido.”

Minha irmã admitiu ter desistido da vida, antes mesmo de recebermos socorro. Ainda dentro do carro destruído, ela percebeu a gravidade de seus vários ferimentos. Em seguida, a angústia de ver eu e meus pais ensanguentados, inertes e com as cabeças tombadas. Ela supôs que estávamos mortos e, então, desistiu de lutar pela vida.

Ouvi certo dia: “Não existe somente uma causa para desistirmos dessa vida; é um conjunto de coisas perturbando a gente durante algum tempo e acaba nos deixando fora de controle, levando-nos a tomar essa decisão drástica. Às vezes, pode ser até o desejo de matar outra pessoa.”
Será esse o caso da Giovana? Que medo!

Passando por um momento de total incompreensão dos acontecimentos e sobrecarregada com a saraivada de perguntas da garota, apenas resumi contando parte do ocorrido comigo entre o acidente e o despertar no hospital.
“Pelo meu entendimento, meu corpo deu PT e o seu estava à disposição por abandono, mas eu ainda não sabia que era o seu; daí eles fizeram esse arranjo.”
“Eles quem, Gisa?”
“Sei lá, era uma escuridão da porra, eu só sentia a presença de alguém invisível. Mas com certeza era um estagiário incompetente cuidando do meu caso, ou seja, da minha morte.”
“Meu Deus! Você não mudou nada depois de algo tão divino.”
“Estou muito agradecida, sim, e até pretendo ser uma pessoa mais digna; simultaneamente tentarei aproveitar ao máximo essa vida. No entanto, não me verá em igrejas e nem tampouco rezando. Não nasci com esse gene!”
“Realmente, você é um caso perdido” — disse a caçula.
“Falando sério agora, Gi, não tinha mais nada lá, a não ser a escuridão, dois túneis e a saída de retorno para esse plano. Mas eu senti… “senti”, é só um modo de dizer, pois eu não enxergava e nem ouvia. Ali, eu era… Como é mesmo o nome de uma coisa invisível e intocável?”
“Imaterial” — disse a jovem nerd.
“Isso mesmo, eu era imaterial, só tinha a percepção das coisas e era orientada pela energia poderosa. Ela me fez entender o propósito de cada túnel: o avermelhado é a entrada do purgatório; um lugar ruim. É melhor manter distância. Mas, ali também há um tipo de sala de espera na qual os mortos aguardam o momento de nascerem de novo.”
“A outra entrada, de luz suave e agradável, não é o paraíso; é um posto de reciclagem das almas que ficaram livres do purgatório, tipo uma formatação do HD. A memória, sentimentos e experiências de vida são zerados e começa tudo de novo. Foi mais ou menos isso que a energia fez-me entender. Essa mesma energia me deu a opção de retornar para esse mundo e continuar minha vida sem passar pelo processo de zeragem.”
“Por acaso essa energia era Deus?”
“Não era nem o estagiário, eu acho.”
“Quem é estagiário, cacete?”
“É o idiota que me fez morrer antes da hora.”
“Pra mim, chega, Gisa; não dá para conversar sério com você.”
“Tenha calma, garota, é uma história complexa. Prometo lhe contar tudinho e com muitos detalhes. O negócio foi muito louco.”

Nós duas conversamos muito a respeito; a caçula é a nerd, tímida e sensata da família, eu, a esperta, expansiva e louca, mas era incompreensível para nós o fato de ocuparmos o mesmo corpo. Nosso conhecimento é limitadíssimo. Existe uma diferença entre o que achamos que sabemos e o que a gente realmente sabe.

“Tenho a sensação de ter dormido um ano inteiro dentro de um freezer” — disse a caçula durante uma conversa.
“Eu não dormi nada durante os meses em que seu corpo esteve em coma; eram muitas dores. Você sente dor agora?”
“Eu sinto dor, raiva, fome, sinto tudo, mas não tenho força motora nem para piscar. Minhas partes externas não me obedecem.”
“A natureza sabe o que faz, Gi, pois seria engraçado você tentando andar para a direita e eu para a esquerda; a gente não sairia do lugar, hahaha!”
“Não é engraçado, estou me sentindo uma tetraplégica. Não é justo depender de você até quando sinto vontade de fazer xixi.”
“Você quer fazer xixi?”
“Pelo amor de Deus, Gisa! Foi só um exemplo.”

Decidi não perder o meu precioso tempo tentando entender a situação inexplicável. Minha única certeza era a de não contar nada a ninguém e continuar fingindo ser a Giovana, mesmo contra a sua vontade.
Não seria nada fácil o nosso convívio, pois não conseguia ficar em silêncio comigo mesma; a voz da garota resmungando o tempo todo na minha cabeça e enchendo o saco, às vezes tornava-se insuportável. Imagine o inferno que seria a minha vida se os demais soubessem do fenômeno. Também acreditava estar correndo o risco de perder a vida novamente, caso o pessoal do universo maligno em Águas Turvas descobrisse sobre a minha ressurreição. O milagre poderia chegar ao fim a qualquer momento. Eu tinha, portanto, um objetivo a cumprir: assumir a gestão de um corpinho casto, necessitando de prazeres e safadezas. Essa era a minha missão momentânea. Afinal, pecado é desperdiçar as oportunidades de viver momentos felizes, pois a vida é uma festa que pode ser muito curta. Nada é para sempre; digo isso por experiência própria.

Tentei, mas não encontrei uma maneira branda de dar a triste notícia da morte dos nossos pais para a Giovana. Ela ficou inconsolável e choramos muito.
Havia outra notícia ruim para dar, mas segurei um pouco, pois ela iria odiar quando soubesse que iríamos morar na casa dos nossos tios Armando e Neide. Minha irmã detestava a mulher, assim como eu.


Na manhã seguinte.

“Ah, não, Gisa! A tia Neide é um nojo; eu não vou morar com ela. E eu nem vou poder xingar ou chutar a bunda da sonsa, pois não comando mais o meu próprio corpo.”
“Volte a dormir, Cinderela, até você completar 18 anos; daí poderemos nos virar sozinhas.”
“Engraçadinha! — Tenho uma ideia, Gisa: com 16 anos você pode pedir a emancipação.”
“Eu estou morta, garota. Esse corpo é seu.”
“Droga! Dá seu jeito, mulher, pois eu não vou para a casa deles de jeito nenhum.”
“Então você precisa arranjar outro corpo para assombrar, pois eu não aguento mais esse hospital. Além do mais, eles foram nomeados nossos tutores; não temos escolha.”
“Temos sim, vamos para a casa do tio Agenor.”
“Confie em mim, Gi, é melhor a casa do tio Armando. Não pretendo voltar para Águas Turvas; não é seguro. Mais à frente, eu explicarei os motivos. Ainda conversaremos muito a respeito, pois você conhece apenas uma mínima parte do acontecido. Desejará distância daquela gente quando souber tudo.”

Pouco mais tarde.
“Tá bom, Gisa, sei que estou sendo egoísta, tentarei suportar a mulher. Você já fez muito por nós e deve estar cansada com tudo isso.”
“Magina, menina, não me arrependo de nada do que fiz, pois não deixei de viver para que outros vivessem; eu tive momentos plenos mesmo estando presa àquele inferno. E soube aproveitar as oportunidades preciosas quando encontrei pessoas do bem que deram sentido à minha vida.”
“Nossa, Gisa, é você mesma que está aí? — Foi fundo na filosofia. Amei!”
“Hahaha, às vezes, eu também não me reconheço. — Cole em mim, que você brilha, garota! Pretendo continuar aproveitando as oportunidades e recheando nossa vida com momentos deliciosos.”
“Agora fiquei com medo.”
“Boba! Hahaha!”


Virgindade em jogo.

Antes de recebermos alta, ainda tivemos um momento de descontração quando a caçula contou uma história que eu desconhecia.
“Uma semana antes do acidente, o papai e a mamãe iriam à famosa reunião. Estava ameaçando cair uma tempestade. Eu não fui para casa depois das aulas; pedi para dormir na casa do tio Agenor, a tia Madalena não ia à reunião.”

“Cheguei lá molhada, apesar do guarda-chuva. A tia começava a preparar o jantar. Fui para o quarto tirar o uniforme, enrolei-me na toalha e fui tomar banho.”
“A porta do quarto do Guilherme estava fechada quando passei para ir ao banheiro, mas, quando saí, novamente coberta apenas pela toalha de banho, ela estava aberta e o quarto quase às escuras. Eu quis fazer graça, caminhando como se desfilasse em câmera lenta, penteando os cabelos com os dedos, cabeça tombada para trás, tentando parecer sensual ao simular desatenção natural. Passei defronte à porta aberta sem olhar para o interior do aposento, imaginando se ele estaria olhando para mim e esperando que me chamasse.”

“No entanto, levei um baita susto ao tomar uma pancada de lado, quase por trás. Caí de costas, aterrissando no colo que supus ser do primo cadeirante, pois só enxergava o teto. Ao cair, fiquei esparramada sobre ele, parecendo uma barata de pernas para o ar. Foi o maior mico. A toalha se soltou e fiquei nua. Havia também o receio de tombar a cadeira e machucá-lo.”
“O Guilherme se desculpou, dizendo ter saído do quarto sem prestar atenção.”
“Machuquei você, Giovana?”
“Magina, tô legal, não foi nada — falei, isentando-o da culpa.”
“No fundo eu queria xingar o safado, pois tinha quase certeza de que ele fez de propósito. Também teria me levantado mais rápido, caso ele não tivesse me mantido segura nos seus braços e aproximado o seu rosto do meu.”
“Puta merda, Gisa, ele me beijou. E foi muito gostoso.”
“Ele te beijou, ou vocês se beijaram? — Conta a história direito, hahaha!”
“Boba! — Mas o beijo foi só o começo. Ainda pelada em seu colo, não recusei a carona e o convite para continuarmos namorando em seu quarto.”
“Eita, Gi! — O que aconteceu lá dentro?”
“Mais beijos e…”
“Vocês transaram.”
“Vai ouvindo. Permaneci montada em suas pernas; ele começou a beijar e chupar meus seios. Eu fiquei com medo quando senti seu negócio quente e grande embaixo de mim.”
“Você estava de frente para ele?”
“Estava, e de pernas abertas. — Quase surtei quando ele tirou o negócio para fora do short e levou minha mão para cima dele.”
“Você fez carinho?”
“Eu segurei, meio sem saber o que fazer. Ele me beijou novamente, mas, durante o beijo, começou a esfregar a cabeça do negócio duro na minha vagina.”
“Uau! Agora a coisa vai esquentar de vez.”
“Ah, Gisa, eu fiquei louca de vontade, mas com um medo da porra.”
“Medo do quê, garota? De perder a virgindade? Não tem coisa melhor no mundo.”
“Mas ele estava sem camisinha.”
“Aí é problema.”
“Ainda assim, não consegui reagir e a cabeça do pênis entrou. Daí deixei a lógica de lado definitivamente, mexi os quadris devagar, sentindo-o cada vez mais dentro… Foi quando a luz acabou e ouvi a tia Madalena gritando: “Fica aí, Giovana, estou indo te levar uma vela.”
“Eu tentei sair rapidamente em direção ao meu quarto. Quando estava no meio do corredor, a luz voltou e eu corri. Da porta do quarto, eu gritei desesperada: “Não precisa trazer a vela, tia.” Pois estava pelada; a toalha ficou no quarto do Guilherme.”
“Ele a deixou no meu quarto mais tarde, enquanto eu estava na cozinha. Não rolou mais nada, pois a tia Madalena veio dormir comigo. Disse que o tio passaria a noite fora.”

Também já corri pelada naquele corredor. Mas minha tia não dormiu em meu quarto, então não evitou que eu fosse vítima do tio Agenor. Pensei, sem compartilhar com minha irmã.

A história foi divertida, e o selinho dela continuava intacto, mas não por muito tempo. Darei um jeito nisso assim que tivermos alta, pensei pervertidamente.


Na casa dos tios.

Passados alguns dias da alta, já no final de março de 2023, Giovana e eu começávamos a nos adaptar à situação. Para ser convincente como Giovana, eu ainda simulava um certo grau de amnésia.
Nos primeiros dias de estadia na casa do tio Armando, ouvimos relatos contraditórios sobre o acidente. A tia Neide aceitou com prazer a versão do pessoal do instituto, segundo a qual meu pai foi o responsável pelo acidente. Afirmavam que duas testemunhas relataram ter visto nosso veículo desgovernado invadir a pista oposta e colidir com o caminhão Scania.
O Scania vermelho era do tipo com capô alongado. Por essa razão, comparei o bruto com uma locomotiva.
Porém, não aconteceu dessa maneira; comecei a recordar os diversos detalhes ocorridos durante o acidente: meu pai não invadiu a pista contrária, foi o Scania que entrou na contramão e veio em direção a nós. A Giovana estava de acordo comigo.

Nenhum dos nossos celulares foi encontrado, e não havia nenhum computador em casa, afirmou meu tio. De acordo com a polícia, criminosos arrombaram nossa casa e reviraram tudo, levando todos os eletrônicos e itens de valor.

“Que mentira, Gisa, fala para eles que os dois homens e a mulher levaram tudo naquele dia” — irritou-se a caçula.
“Já conversamos sobre isso, garota, será a amnésia que nos manterá vivas.”
“Pelo menos, nossos documentos ficaram com o pessoal do resgate e agora estão conosco. Minha identidade será útil, devido a sermos cara de uma e focinho da outra, como dizia o papai. Já pensou que demais você atingir a maioridade três anos antes do prazo?
“Falsidade ideológica dá cadeia, sua louca.”
“É um risco calculado. Fica fria, Gi!"

Os dias seguiram. Em minhas pesquisas na internet sobre notícias referentes ao dia fatídico, deparei-me com várias mentiras, mas uma parecia verdade:
Em depoimento, um dos membros da equipe médica da viatura de resgate afirmou:
"Estávamos voltando de um atendimento que não exigiu remoção, quando, na estrada, nos deparamos com o acidente acabado de ocorrer..." Lamentavelmente, o casal de adultos ocupando os bancos dianteiros não sobreviveu ao acidente. As duas garotas que estavam no banco traseiro foram removidas do carro ainda vivas, porém, ambas apresentavam um estado de saúde muito grave. Infelizmente, Gisele, a jovem, faleceu durante o trajeto para o hospital. Devido à gravidade das lesões, a menina Giovana foi colocada em coma induzido.

Estou completamente convencida de que os bandidos não teriam poupado ninguém se o resgate não tivesse surgido de forma inesperada para realizar a intervenção imediata.


O processo.
Encontrei uma notícia sobre o viralejo de Águas Turvas no site de denúncias, onde o Roberto enviou o material. Era de meses após o acidente. Na data da postagem, eu ainda tentava acordar o corpo em coma. A reportagem explicava os detalhes de uma acusação contra o instituto no Vale do Paraíba; o processo corria sob segredo de justiça. Entretanto, vazaram os nomes do meu tio-avô Agenor e do mestre Vilânio, entre outros. Todos constavam de uma lista de acusados de praticarem abusos sexuais durante rituais espirituais. O jornalista também atentou ao fato da suposta presença de menores de idade nessas orgias disfarçadas de evento místico.
Com as ações da Polícia Federal, a rede criminosa entrou em colapso. Acentuou o jornalista.


Os condenados.
Em maio de 2024, mais de um ano depois, as notícias relataram que meu tio Agenor, mestre Vilânio e outras pessoas menos relevantes da região do Vale do Paraíba foram considerados culpados de estupro e aliciamento de menores por um júri, após um julgamento. Ficariam encarcerados por um período de 12 a 21 anos e cumpririam ao menos dois terços de suas penas antes que as opções de liberdade condicional fossem consideradas.

Meu esforço não foi em vão. No entanto, nenhum tubarão daquela localidade foi punido ou pelo menos citado como integrante da rede criminosa. Normal!

Setembro de 2025, final da tarde de uma sexta-feira. Poucos minutos após o sinal de saída, eu já estava longe do colégio. Pedalava firme a minha bike a caminho de casa (casa dos meus tios) e ouvia a mesma pergunta repetida pela alma da caçula quase todos os dias:
“Você vai ligar para o Dr. Enrique, Gisa?”
O médico pagou a fiança dias atrás e responderia ao processo em liberdade.
“Tá bom, hoje eu ligo. — Mas aprende a não demonstrar interesse excessivo pelo hétero; deixa ele correr atrás de nós também.”


Fim desta temporada.

Agradeço a todos pela leitura e paciência com o capítulo estendido.

Se você chegou até aqui, obrigado pela atenção. E, se a história lhe agradou, eu recomendo que leia novamente, começando pelo primeiro capítulo. Você vai notar que várias cenas que antes pareceram confusas agora vão fazer sentido.


terça-feira, 31 de março de 2026

Almas Gêmeas - Parte 29

<< JÁ FAZ BASTANTE tempo desde que recebi a oportunidade de retornar ao mundo dos vivos. Não conseguia determinar exatamente: “Provavelmente estou aqui há semanas”, imaginei. Na verdade, passaram-se meses. Estava prestes a enlouquecer com uma espécie de pesadelo que me infernizava repetidamente desde a minha transferência para esse corpo em coma, um pesadelo sobre o instante de terror ocorrido no acidente trágico com a minha família… E a minha morte no carro do resgate.

Sim, seria eternamente grata pela segunda oportunidade de viver, mas já estava cansada da rotina de tentar ligar o “veículo” que não pegava, ou de percorrer o labirinto dando de cara com portas fechadas. Em meio a essa rotina, procurava preencher o tempo com recordações de momentos felizes vividos na companhia de pessoas agradáveis.
Um episódio curioso aconteceu um ano antes de nos mudarmos para o Vale do Paraíba. Era um período em que eu já lidava com o desconforto da menstruação; contudo, a imagem refletida no espelho me agradava: meus quadris mais largos, o bumbum mais volumoso e meus seios maiores. Os garotos do meu convívio notaram a evolução, mas os elogios eram apenas assédio bobo e me aborreciam. Eu não era como os demais jovens da minha idade e, aos poucos, comecei a me distanciar da turminha, optando por conviver com um grupo de garotas e rapazes mais maduros.

Em uma tarde de sábado, estava na pracinha, de bate-papo com a turma nova; um dos rapazes de um casarão próximo convidou a todos para uma festinha de despedida. Ele partiria para um intercâmbio de seis meses na Inglaterra.

Dos presentes, eu era a única novata na casa. Fui apresentada ao pai do Attila (o colega anfitrião).
— Bem-vinda…?
— Gisele — respondi.
— Nándor, ao seu dispor — disse ele ao estender-me a mão e depois deu-me os dois beijinhos. — Divirta-se, Gisele!

De todos os homens naquela casa, o mais charmoso era o coroa. Impressionante como era parecido com o homem que dançou com a Nicole Kidman, fazendo comentários provocativos, no filme “De Olhos Bem Fechados”.

Mais tarde, passada mais de uma hora e mais de uma taça de vinho ingerido, balancei demais o corpo ao acompanhar o ritmo de uma música e esbarrei no Attila. Cacete! Parte do vinho tinto em seu copo derramou em minha blusa clarinha.
Saí no gás para lavar e, já no interior do lavatório (antecâmara) que ele me indicou, tirei a blusinha. A porta não tinha trinco ou chave; achei melhor lavá-la no banheiro.
Eu só não esperava que, ao abrir a outra porta mais ao fundo, eu pegaria o seu Nándor batendo punheta. Instintivamente, cobri os seios com as mãos e blusa.
O bonitão continuou de boa, segurando seu pau duro. O danado deixou-me muito excitada; imaginei aquele cacete nas minhas mãos e caindo de boca nele, chupando faminta até o fazer jorrar.
Como se estivesse hipnotizada, continuei parada, sem tirar os olhos da cobra de cabeção rosado, e baixei os braços lentamente.
— Seus seios são lindos. Imagino que sejam doces e deliciosos — falou, sorrindo lindamente, continuando a alisar o pênis.
Restabeleci o contato com a torre ao ouvir a voz do homem e devolvi-lhe o sorriso, mirando em seus olhos sedutores.
— Vem, anjinho, não fique acanhada.
Sem pensar no risco de ser flagrada, deixei a blusa no cabide da porta e fui juntar-me a ele; minha boca já estava aguando por aquele pau grande e apetitoso.
Minhas atitudes foram ligeiramente acanhadas diante dos elogios do homem maduro, de postura altiva e super sedutor. Deixei-o tomar a iniciativa de conduzir minha mão em seu membro.
— Nossa! É bem grandão, mas bem macio — falei ao acariciá-lo com uma mão, depois com as duas.
Ajoelhei-me aos seus pés e comecei a lamber, chupar e engolir o negócio com uma vontade incomum. O homem acariciava minhas costas nuas e seios, a princípio.

Quando sua respiração começou a ficar acelerada, segurou em meus cabelos e começou a foder em minha boca, sem forçar a barra. Ficou perceptível que ele estava a ponto de gozar. Ele tirou, mas continuei com a boca aberta, esperando que ele despejasse dentro, mas errou o primeiro tiro; o jato atingiu meu nariz e o segundo, a bochecha. Os próximos foram derramados sobre a minha língua.

Voltei a chupar seu pau, engolindo tudo que ainda saía dele, mas com um medinho ao imaginar o que ele faria comigo a seguir.
Ele permaneceu sentado no vaso tampado enquanto eu tirava o excesso de porra do meu rosto com papel higiênico.
Logo após, as mãos másculas prenderam meu corpo e sua boca provocou delícias em meus seios. Deixei-me levar, mesmo ainda sendo tecnicamente virgem, pois a única penetração sofrida até aquele dia havia ocorrido na casa do tio Agenor em nossa visita meses atrás. Ainda assim, não tinha certeza se fui possuída pelo meu tio-avô, por alguma entidade ou se tudo não passou de um pesadelo.
Naquele momento era real, estava acordada, apenas de pileque, mas completamente hipnotizada pelo homem que sutilmente começou a abrir o botão e zíper da minha calça jeans.
— Estou ansioso para ver a joia que você esconde aqui — disse ele, excitando-me ainda mais.
Minhas calças foi puxadas até os pés, enquanto minhas coxas e bumbum eram acariciados e ouvia sacanagens gostosas ditas sem pudor. Quando minha calcinha começou a descer, expondo meus pelinhos pubianos encharcados, meu tesão explodiu, queria livrar-me das roupas e sentar minha boceta em seu cacete.
No entanto, ao ouvir vozes se aproximando, percebi a loucura que estava fazendo. O homem arrumou sua roupa, sugeriu que eu trancasse a porta e foi embora.
Ao lavar meu rosto e, em seguida, a blusa, experimentava sentimentos contraditórios: frustração por não ter transado e alívio por não consumar a loucura.
“Alívio, nada; eu desejei loucamente ser penetrada pelo coroa. Além disso, gostaria de agora estar saboreando os prazeres ainda emanando do meu corpo e sorrindo feito uma boba.” Falei comigo mesma.

Ao retornar ao convívio da turma, aparentemente, minha longa ausência não foi notada. Foi melhor assim.
Apesar do desejo, não retornei ao banheiro e não encontrei o coroa novamente naquele dia.


***


Despertar do Coma

Voltando a atenção ao corpo em coma, certo dia, enquanto praticava minha rotina de mover-me pelos corredores do labirinto escuro, empurrando portas na tentativa de sair dali, tive uma surpresa maravilhosa: uma das portas cedeu levemente e a claridade entrou pela fresta aberta, iluminando o ambiente. Foi mágico e fez-me vibrar de esperança. À medida que fiz pressão com as mãos, a danada cedeu lentamente até chegar ao ponto em que minha alegria se tornou infinita; havia despertado do coma.

Os momentos seguintes foram de uma emoção indescritível; de repente, senti por completo o corpo que eu ocupava e tive a nítida sensação da presença da minha irmã Giovana; era como sentir ela me abraçando. Meus olhos marejaram com a emoção, tentei olhar ao redor, mas meu corpo atual tinha uma enorme limitação para executar movimentos; ainda assim consegui enxergar e julguei estar no interior da UTI de um hospital.
Fragilizada e debilitada, morria de dores ao tentar me mexer. O bom senso ordenava-me para ficar o mais quietinha possível. Fiquei assustada e ansiosa para falar com alguém.
Cadê o pessoal do hospital? E como estarão meus pais e minha irmã? É noite ou dia? Por que não consigo falar?

Aproveitei o tempo que permaneci sozinha para chegar a algumas conclusões; uma delas era muito bizarra: eu e minha irmã morremos e minha alma se transferiu para o corpo dela, restabelecendo-lhe a vida. Isso explicaria a sensação absurda da sua presença em mim.
Lembrei-me com detalhes do dia da colisão; algo inexplicável aconteceu dentro da ambulância quando a Giovana entrelaçou seus dedos nos meus. Uma força estranha fundiu-me a ela, como se o laço de irmãs nos atraísse como ímãs. Ao pressionar sua mão, minha sensação era de estar sendo transferida para o interior dela, enquanto meu corpo se apagava lentamente.
Nossas mentes fundiram-se por um instante fugaz, mas suficiente para alegrar-me com seu pedido de perdão. Ela acessou minhas lembranças dos momentos terríveis que passei nas mãos dos bandidos do instituto, uma tortura suportada por mim somente com a intenção de proteger a todos nós da família.
Infelizmente, aquele momento de magia durou apenas míseros segundos; deixei de ouvir a mente da caçula, como se ela tivesse desaparecido como pó aspirado por uma força centrífuga.
Daquele ponto em diante, vaguei pelo labirinto escuro até acordar do que parecia ter sido um sonho surreal, complexo demais para minha simplória compreensão da vida.
Tentava assimilar o acontecimento; meu espírito, força vital, consciência e tudo isso aí que chamam de alma estavam dentro do corpo adormecido da minha irmã. Disso agora eu tinha certeza.
Meu estado psicológico estava um caos, e sofri com a incerteza de tudo: para onde foi minha irmã? Eu ficaria ali, para sempre, caso ela não retornasse? E se a alma dela voltasse reclamando o corpo?

A enfermeira chegou algum tempo depois e, em seguida, o médico. Retiraram os aparatos de respiração artificial.
As horas seguintes foram de alegrias para enfermeiras, médicos e meu tio Armando. Ele chegou horas mais tarde e a tia Neide não veio com ele; ficou arrumando o quartinho o qual eu ocuparia na casa deles, segundo meu tio.
Eu mal conseguia balbuciar palavras, mas me fiz entender:
— Por que vai me levar para a sua casa, tio?
Foi nesse instante estranho que ele, na companhia do médico e da enfermeira, deu a pior notícia da minha vida: meus pais tiveram morte instantânea e eu (Gisele) morri a caminho do hospital. A tristeza por perder meus pais, ainda mais sabendo que indiretamente a culpa foi minha, era uma dor insuportável. Por outro lado, eu não sabia como reagir à notícia da minha morte; era muito mórbido e incompreensível.
Eles não sabiam que estavam interagindo comigo no corpo da Giovana. Algo em mim alertava que era prudente manter em segredo, pelo menos por enquanto.

A previsão de alta ainda parecia distante, então pude refletir à exaustão, sentindo o tempo todo a presença da minha irmã. Durante o período de “incubação”, idealizei hipóteses e surgiram perguntas difíceis de responder: e se a alma dela retornar? Como ela reagiria? Nós duas teríamos o controle do corpo? E se eu revelar para todos que é a minha alma no corpo da Giovana? Com certeza seria considerada louca, mas, se acreditassem, o risco era virar cobaia em estudos científicos ou, pior, poderia ser exorcizada.

Não me faltava tempo para pensar bobagens; comparei a situação com um computador travado, que só voltava a funcionar após ser reinstalado o sistema operacional. Eu era o novo sistema e minha memória eram os novos arquivos.

Atormentava-me a morte do Roberto; fiz a escolha errada ao roubar os equipamentos na tentativa de desviar o foco da verdadeira intenção. Deveria ter retirado apenas o HD e os cartões de memória. Mas como eu iria adivinhar que havia um rastreador? O jornalista era mais experiente e não comentou nada semelhante a essa possibilidade. Resta-me agora conviver com a dor.

Ao ponderar sobre tudo que havia pensado a respeito anteriormente, inclusive sobre o acidente, estava segura de termos sofrido uma tentativa de homicídio para nos calar. Também uma represália proveniente dos líderes do universo sombrio e ilegal. A Giovana seria considerada uma ameaça? Se sim, estaríamos em perigo.
Será que o pessoal do site de denúncias está trabalhando com o material que entregamos a eles?

No feriado da Independência, fiz meu segundo treinamento na casa do Roberto, que tinha como objetivo abrir as fechaduras do ateliê com chaves-michas e me apoderar das provas dos abusos sofridos por mim. Nesse mesmo dia, o jornalista registrou em vídeo a minha denúncia; era semelhante ao relato que fiz no parque em nosso primeiro encontro. Dessa vez, dei mais detalhes e nomes das pessoas que conheci no universo do mal, além de informações capazes de revelar a identidade de outros, cujos rostos não consegui ver, devido às suas máscaras.
Era para ele enviar esse vídeo com as provas do crime. No entanto, nos antecipamos, e na sexta-feira, dia 9, o depoimento foi enviado para o site de denúncias horas antes da minha invasão ao ateliê, pois, se tudo terminasse terrivelmente errado, eles ainda teriam algo para investigar.

Após remover o material e trabalhar nele durante a noite no quarto de motel, ainda tomamos precauções enviando o HD com a cópia das imagens e a carta original da Susana. Logo após deixarmos o estabelecimento pela manhã, tudo foi entregue a um portador para ser repassado aos responsáveis pelo site. Eles já estavam cientes sobre o meu caso.

Ponderei sobre tudo isso e decidi pôr em prática uma ideia: fingiria ser a minha irmã caçula; seria fácil, pois estava no corpo dela. E simularia um estado de amnésia parcial, principalmente dos fatos relacionados ao instituto e ao vilarejo de Águas Turvas.

Continua.

Última revisão em: 06/04/2026.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Almas Gêmeas - Parte 28

<< IMEDIATAMENTE APÓS minha família ser intimada a comparecer ao instituto, a princípio presumi que seria para que eu fosse interrogada sobre o furto dos equipamentos do ateliê. Contudo, um acidente trágico aconteceu durante o trajeto de Mogi das Cruzes a Águas Turvas.
Foi desesperador ouvir o grito da mamãe, alertando sobre o impacto iminente, e de imediato uma figura grande e vermelha se aproximando, ágil como uma locomotiva sem freios, colidindo violentamente contra o nosso carro.

A partir desse ponto, o que narrarei não foi resultado dos efeitos causados pelas propriedades alucinógenas do chá que ingeri por meses seguidos. O que aconteceu comigo é algo que vai além da compreensão. Alguns chamariam de milagre, intervenção divina, obra sobrenatural, abdução ou algo do gênero. Como não encontrei um manual ensinando como lidar com fenômenos que a ciência talvez seja incapaz de explicar, então parei de tentar compreender e considerei o ocorrido como uma segunda chance ou uma nova missão.

Imagine essa cena: você sofre um acidente gravíssimo e entra em um estado de sono profundo. A princípio, você julgou que poderia ser eterno, mas, de repente, algo extraordinário acontece.
Tudo começou quando me dei conta de que estava em uma suposta ambulância de resgate em movimento, com a sirene acionada. A imagem angustiante do monstro vermelho colidindo com nosso carro continuava a atormentar minha mente. Subitamente, percebi o toque da mão da minha irmã Giovana, deitada ao meu lado, em outra maca. Ela entrelaçou seus dedos nos meus e algo emocionante aconteceu: nossas mentes se uniram, e pude sentir o amor que ela tinha por mim e receber seu pedido de perdão. Agora, ela tinha ciência de toda a história que envolvia nossa família e o instituto. Entendia que, entre as vítimas, eu fui a mais sacrificada.

Uma tristeza imensa abateu-me quando percebi que a natureza do gesto também engendrava uma despedida. Naquele momento, uma força estranha, que havia assumido o controle da minha vida desde que despertei na ambulância, fez-me entender que a força molecular em meu corpo se extinguia; comecei a sentir-me como se fosse apenas energia. Talvez seja isso que nomeiam de alma.
As surpresas se sucediam como num passe de mágica. Subitamente, fui transportada à velocidade da luz para uma espécie de outra dimensão, um lugar escuro onde não havia nada em nenhuma direção, mas algo me induzia a seguir em movimento. Embora não fosse possível ver ninguém, o local parecia estar fervilhando de pessoas, como se transitassem de um lado para o outro. Não tinha som, apenas uma leve vibração, semelhante à de um transformador de energia; era perceptível.

Algo emergiu das trevas, assemelhando-se à abertura de um poço gigantesco, com a largura de uma rodovia, e a entrada coberta com uma espécie de plasma incandescente, como uma cortina viva que pulsava freneticamente, lembrando lava vulcânica. O buraco de aparência quente me causou um medo inexplicável. Tudo o que eu queria era me afastar, pois me fizeram acreditar que essa entrada me conduziria ao mundo dos mortos com dois espaços distintos. Um dos espaços era o purgatório, que é um lugar onde aqueles que não foram dignos nesta vida enfrentam momentos penosos, caracterizados por uma mistura de punição e aprendizado. Outro espaço, se é que eu entendi direito, era somente uma sala de espera para as almas que aguardavam o momento de iniciarem uma nova vida.
Acima do buraco quente, a uma altura equivalente a um sobrado, havia outro túnel que parecia conduzir ao céu. A largura era tão ampla quanto. O plasma que revestia essa área emitia uma luz branca, suave e reconfortante. A sensação de paz era tentadora, intensificando o anseio de ir até lá. Imaginei que talvez ali estivesse o caminho para o que chamam de paraíso.
A mesma energia anterior me orientou sobre essa nova entrada: era um local onde passamos por uma formatação para começarmos uma nova vida. As almas saem de lá como se fossem uma folha em branco.

Imaginei que tudo poderia ser um sonho do qual logo despertaria. Porém, quando me senti sendo puxada para o poço de lava, tudo se tornou um pesadelo; era como se um ímã poderoso me estivesse atraindo. Estava muito perto quando a parte energética, que era meu corpo, começou a flutuar, subindo gradualmente, permanecendo na altura entre um ponto de entrada e outro, ou entre o sagrado e o profano, eu diria.
Sem conseguir vislumbrar qual seria o meu fim, só temia despencar dentro da lava nervosa, pois já antecipava o horror das queimaduras, mesmo desprovida de um corpo humano no momento.
Tentei lutar, mas faltou-me força; quis gritar, mas não tinha voz. Ainda me restou o bom senso de não ser hipócrita a ponto de fazer uma oração apenas naquele momento de desespero, uma vez que nunca fui religiosa. Estava ciente dos meus erros e acertos; afinal, foram minhas escolhas. Considerava-me uma pessoa do bem, vivendo em harmonia comigo mesma, dentro do possível.
Ao ser posicionada bem ao centro dos dois “túneis de plasma”, senti o calor infernal vindo de baixo e a brisa celestial vinda de cima. Naquele instante, meus poucos anos de vida passaram pela minha mente em segundos, como um flashback em hipervelocidade. Em pouco mais de 15 anos de vida, fiz ou estive envolvida em muitas coisas e reconheço que poderia ter feito muito mais; contudo, é um período insignificante. Meu desejo sempre foi o de viver por muitos anos para descobrir novas experiências, conhecer pessoas diferentes e explorar outros lugares. Namorar bastante também estava nos meus planos e, quem sabe, me apaixonar, casar e ter filhos.

Mais uma vez, aquela energia que parecia preencher e dominar todo o universo físico e psíquico fez-me entender que eu tinha duas escolhas: seguir na direção da luz suave, onde passaria por uma espécie de formatação, esquecendo tudo que já experimentei e aprendi. Começaria uma nova vida do zero.
Outro caminho parecia uma espécie de reencarnação, porém, no corpo de outra jovem, pois não era possível retornar ao meu. Essa outra alma havia desistido da vida, abandonando à própria sorte o seu corpo enfermo em estado de coma.
Se aquilo era um desafio, aceitei com toda a minha gratidão; eu apenas desejava continuar vivendo no mundo que já conhecia e que ainda tinha muito a oferecer. Desejava retornar ao convívio das pessoas amadas e aproveitar a vida por muitos anos, pois adorava viver. Tentaria não flertar tanto com o perigo, dessa vez.

No momento seguinte, uma luz lilás apareceu entre um túnel e outro. Assemelhava-se a uma flor, um lírio desabrochando como o diafragma de uma câmera fotográfica abrindo-se passo a passo. Quando a abertura atingiu o máximo, fui puxada lentamente para dentro até atravessá-la e, novamente, viajei à velocidade da luz, parando no interior de um corpo humano. Milagrosamente, recebi a oportunidade de retornar ao mundo dos vivos, substituindo essa alma desertora. Esse novo corpo estava muito ferido, mas ainda vivo e, aparentemente, com todos os órgãos.

Vida Após a Morte.

Na minha humilde opinião, acredito que não tenha chegado a minha hora de morrer; foi algum erro do “estagiário”. Quando alguma espécie de supervisor ficou sabendo, provavelmente me mandou de volta; todavia, como o meu corpo ficou imprestável, minha alma foi alocada no de outra pessoa, que se recusava a continuar vivendo.

Sentiria saudades do meu antigo corpo, amava cada detalhe, principalmente as covinhas de Vênus. Mas continuava grata e, após conseguir despertar esse corpo, eu procuraria ser sempre coerente com as minhas convicções, ou seja, não agir contra a minha concepção de certo e errado, pois a morte não é o fim de tudo, percebi; há outros ciclos a serem cumpridos. Acredito que as pessoas dignas, empáticas e generosas não são jogadas no buraco quente, que deve ser um inferno.

A satisfação sentida ao retornar para esse mundo amenizou o incômodo de continuar na escuridão. Não sabia quando era noite ou dia; após o milagre, a minha preocupação era continuar viva. E, embora houvesse o transtorno de despertar em um corpo em estado de coma, a minha expectativa de fazê-lo recobrar a consciência em algum momento era animadora. O desesperador era sentir tanto desconforto em razão da enfermidade e a impossibilidade de interagir com o corpo inerte.
Às vezes, a sensação era de ter ganhado um carro cuja ignição não funcionava. Na maioria das vezes, tinha a impressão de correr por caminhos no interior de um labirinto, mas o final do corredor era sempre uma porta lacrada. Será necessária uma senha de acesso? Onde consegui-la? Ficava me questionando.
Sentia falta da energia, a qual me orientou na outra dimensão e não “falou” mais comigo; ainda assim, a percepção era de não estar sozinha e de fazer parte de algo de dimensões absurdas. No entanto, além das portas, só conseguia ver escuridão e ouvir o zumbido leve e estranho vindo de todas as direções.

Continuaria percorrendo o labirinto pacientemente até encontrar a saída; tempo livre não me faltava, sobretudo, para acreditar no despertar do corpo. Também para pensar nos momentos já vividos.
Por exemplo: a correlação do fatídico acidente sofrido pela minha família com uma carta que encontrei há duas semanas entre as páginas de um dos livros que o mestre Vilânio obrigava-me a ler. O manuscrito era um desabafo ou acusação de alguém chamado Susana. Até dois meses antes da minha admissão, essa jovem havia sido a modelo do mestre.
Serei fiel ao tema escrito por ela, mas à minha maneira, pois não me recordo de todas as frases na íntegra.

Ao mestre Vilânio.
Sua última tentativa frustrada de fazer sexo comigo, ou seja, de abusar do meu corpo, reduziu ainda mais o pouco respeito que eu ainda tinha pelo senhor. E se me causou desprezo e vergonha alheia a sua cena patética, por outro lado, eu fui compensada ao passar uma noite de amor maravilhosa com o Robson. Ele era um homem de verdade, o homem que eu amo e que fez sexo comigo por horas, saciando todos os meus desejos. Aproveitamos o alojamento ainda desocupado para ter nossa noite romântica.

Aqui, farei um adendo para explicar o motivo do alojamento vazio e já continuo com a carta. As aulas no ateliê tiveram início no dia primeiro de fevereiro do referido ano. Ao passo que os estudantes dos demais departamentos do instituto só retornaram no dia sete. Foi o meu caso, pois, naquele mês, eu frequentava apenas o ensino médio. A minha trajetória no ateliê ainda não havia começado; a vaga era ocupada pela Susana. Ela estudava no colégio técnico durante o dia, fazia o treinamento remunerado com o mestre Vilânio à noite e dormia no alojamento. O Robson — seu namorado secreto — cursava artes plásticas no ateliê durante o dia. Não dormia no alojamento. Isto é, soube pela carta que não era bem assim, né?

Sigamos com a carta e a narrativa da Susana:
Assim que saí desse ateliê nojento, tomei um banho para tirar o odor fétido deixado em mim pelo senhor e aguardei meu amor, toda cheirosinha e só com o conjuntinho de dormir.
Minutos depois ele chegou e se acomodou em minha cama, aconchegando-se comigo e, após um beijo ardente e cheio de desejos, meu shortinho começou a deslizar por minhas pernas e sua língua, lábios e dedos brincaram deliciosamente em minha vagina. Talvez a sua ignorância machista não compreenda o quanto uma mulher adora essas preliminares.
Ele não teve pressa, tampouco nojinho quando gozei em sua boca. Evidente que retribuí também o chupando gostoso, mas ele guardou o auge do seu prazer para mais tarde, pois tínhamos toda a noite pela frente.
Em instantes eu estava de quatro sobre minha cama, e o pênis rígido como ferro, inteirinho em minha boceta, indo e vindo, arrancando meus gemidos, abafados pelo travesseiro.
A propósito, ele usou preservativo e saiu cheio de dentro de mim, após quase me desfalecer de prazer.
Durante os cinco minutos de relaxamento para recuperar o fôlego, ele, de conchinha comigo e massageando meus seios, sussurrava em meu ouvido as sacanagens suaves que eu amo ouvir nessas horas. Seu membro entre minhas pernas ganhou nova rigidez, excitando-me ainda mais que antes. Direcionei a cabeça do volume para a entrada da minha vagina; ele ergueu a minha perna e transformou o momento da penetração em algo maravilhoso. Senti-me flutuar ao receber seus golpes potentes e prazerosos. A conexão dos nossos corpos era perfeita e o instante vivido era divino.
Foi super gratificante chegarmos ao gozo simultaneamente, com ele uivando e eu latindo como uma cadela, ignorando o perigo do flagrante e, dessa vez, a falta do preservativo. Eu tinha ciência, mas pensaria no problema depois; no momento, meu único desejo era continuar fodendo gostoso com meu homem.
A melhor parte da minha vida foi naquela noite de sexta-feira, nos braços do Robson. E a segunda-feira foi o dia mais triste e difícil, quando recebi a notícia do falecimento do meu amor em um acidente de carro. Tenho certeza de que foi algo encomendado por pessoas tão desprezíveis e repugnantes que nem o inferno será castigo suficiente.
Passadas três semanas, recebi o exame com a confirmação da minha gravidez. Isso, por si só, seria uma catástrofe em minha vida. No entanto, poderia ser pior; o agora feto poderia ser seu herdeiro, senhor Vilânio. A sua ejaculação precoce, despejando seu sêmen antes mesmo da introdução, pode ter me engravidado, pois, tentando saciar o seu ego de macho, ainda tentou copular comigo ao enfiar essa coisa melada e mole em minha vagina. Serviu apenas para complicar a minha vida.
Preocupe-se com outras coisas e não com a paternidade, pois jamais pediria isso para um escroto como você; desejei apenas que soubesse dos fatos, já que não estarei aqui para contar pessoalmente.

Até nunca mais, e apodreça no inferno, seu verme!

Susana.

No final, ela deu a entender que estava se despedindo dessa vida. E aconteceu realmente; ela engoliu um monte de comprimidos de tarja preta e não foi socorrida a tempo.
A carta era endereçada ao mestre; não sei o motivo de ela estar no livro. Mas ele não chegou a ler, ou então a teria destruído.
Contudo, ele ainda terá a oportunidade de ler, pois levei a carta e entreguei ao Roberto. Ele digitalizou e enviou uma cópia para o repórter do site de denúncias. A original foi enviada com o HD contendo a cópia das imagens. Será uma prova adicional contra a máfia.

Ao relacionar a tragédia de Roberto e Robson com a da minha família, fortaleceu em mim a certeza de que os bandidos usariam “acidentes” de carro como o método preferido para eliminar seus desafetos.

Continua.

Última revisão em: 06/04/2026.