domingo, 13 de janeiro de 2019

O Filho do Capitão

Aquele cara estava me comendo por trás há mais de vinte minutos, e eu nem o conhecia. Pelo reflexo do vidro à minha frente, observei o pervertido no interior do seu carro, mirando a minha bunda coberta apenas pelo jeans de lycra, bem justo. Ele estava a poucos metros, do outro lado de uma travessa da avenida Brás Leme (zona norte de São Paulo). Eu estava na esquina, defronte a um prédio de vidro escuro, aguardava uma amiga que marcou de se encontrar comigo naquele exato lugar; ela havia conseguido um trabalho para mim. Eu morava nas proximidades, então cheguei com antecedência ao encontro para não correr o risco de perder o serviço e a grana. No entanto, ainda nem sabia ao certo o que teria que fazer; só pensei no dinheiro de que estava precisando muito.


A amiga ligou, disse que a missão dela era somente agendar o meu encontro. Questionou se eu estava observando um carro Range Rover preto do lado oposto da rua.

— Sim, estou sim. E há um tarado dentro dele que está me devorando com os olhos há quase meia hora.

— É ele quem te levará ao trabalho. Pode ir sem medo, é seguro e o cara é do bem.

— Mas que porra de trabalho é esse?

— Eu também não sei, mas posso garantir que não é nada perigoso ou ilegal. Conheço o cara há anos; ele só quer sigilo, pois os envolvidos são políticos renomados. Pode ir, amiga, garanto que será um negócio legal.


Minha atração pelo perigo deu o primeiro passo, conduzindo-me ao encontro do homem.

O sujeito só me fez elogios, era um conquistador barato, mas não me adiantou nada sobre o trabalho, apenas me conduziu a uma baladinha privada em uma casa de luxo a quinhentos metros de distância, no Jardim São Bento. Foi nesse lugar que conheci o vereador. Ele era carioca e costumava visitar seu amigo paulista por um ou dois dias.

Seria paga para ser sua acompanhante, mas não transaria com ele. O vereador Kevin e seu namorado Charles (proprietário da casa) me fizeram uma proposta de trabalho: eu atuaria como a irmã mais nova de Charles e namorada de Kevin. Se tudo corresse bem, poderia durar alguns meses.


O pai do vereador, capitão reformado do exército, era homofóbico, machista e possuía outras características semelhantes. Ele também ocupava o cargo de presidente de um partido político. O ex-militar seria o responsável por viabilizar a ascensão meteórica do filho rumo a Brasília. Contudo, a carreira e o suporte estariam em grave perigo se fosse revelado que o filho do capitão era homossexual.


Chegamos a um acordo em que eles me pagariam para interpretar o papel de uma namorada recatada. Até poderíamos ficar noivos para dar mais autenticidade. Isso lhe proporcionaria um álibi para suas visitas regulares a São Paulo, com o objetivo de encontrar seu parceiro.


Nossos primeiros encontros foram apenas em São Paulo; era necessário para nos conhecermos, trocarmos informações e não cairmos em contradições diante de sua família. Tivemos muito tempo para conversar, já que não tínhamos nenhum contato físico em nossos momentos a sós. Fiquei sabendo que, naquela relação, o Kevin era quase sempre passivo; o Charles desempenhava o papel mais dominante, o típico macho alfa.


Dias depois, entramos no período de festas. O Kevin passou o Natal em São Paulo, dizendo para sua família que ficaria comigo na casa do meu suposto irmão Charles. Minha presença na casa foi necessária para aparecer posando ao seu lado nas selfies dos grupos de WhatsApp do seu corpo social e também no de seguidores evangélicos.


O Réveillon passaríamos na casa do meu “sogro”, inclusive o Charles. O encontro com o pai e o restante da família foi mais tranquilo do que eu havia imaginado, pois eu pressupunha que sofreria uma bateria de perguntas e teria que relatar até a minha primeira infância.

As situações mais embaraçosas vivenciei com o motorista a serviço do Kevin, o mesmo que me pegou no prédio de vidro no primeiro dia. Por saber que eu não era verdadeiramente a namorada do patrão, ele ficava me cantando a todo instante. Até que ele era atraente, mas eu não pretendia colocar aquele trabalho lucrativo em risco indo para a cama com ele.


Depois do almoço, o Kevin discretamente deu um perdido de quase uma hora com o Charles, enquanto o pai e outros tiravam uma soneca. Eu fiquei à beira da piscina, onde rolavam alguns drinks e um som. O motorista aproveitou cada chance que teve para cantar-me e… Também excitar-me. Devido ao trabalho, havia dias em que não rolava um sexo.

— Você é perfeita, deixa eu ver seus peitinhos, faz um topless para mim!

Fiz uma cara e um gesto, dando a entender que ele estava louco. Não queria chamar a atenção dos outros. Ele continuou me rodeando, mesmo eu pedindo para ele se comportar, pois ia acabar estragando o meu negócio.

— E aí, o que eu faço pra você me dar uma chance e a gente curtir gostoso?

— Quer comprar meu passe? Basta você me dar um valor mensal equivalente ao do vereador que eu deixo este emprego.

— Não zoa, linda, não tenho esse cacife todo. Mas eu sei que ainda vou curtir esse corpinho apetitoso, e será na faixa.

— Pode ser. Quem sabe? Você parece ser delicinha, mas dá um tempo agora, por favor, ou você vai me complicar — falei de maneira amável para não deixá-lo com raiva.


***


Ocorreu uma falta de energia elétrica na residência, horas antes da meia-noite, exatamente quando eu estava no banho no quarto de hóspedes. Assim que saí do box e comecei a enxugar-me, senti uma presença no ambiente. Fiquei imóvel e escutando… De repente, fui agarrada. Dei um gritinho e bateu um pânico. Uma mão tapou a minha boca e um braço prendeu-me pelo ventre. O "Shhhh"! Emitido pela boca em meu ouvido, soou quase como um tranquilizador, tirando um pouco da minha apreensão, apesar de não conseguir ver quem era. Contudo, deduzi quem seria aquele homem musculoso e abusado. Fui puxada por ele andando de ré. Ele parou e, pelo som e movimento que fez, deu para perceber que abria e descia suas calças. Ele sentou, levando-me junto. Fiquei em seu colo e senti sua pele nua e seu pau ereto entre minhas coxas. Eu poderia lutar e resistir, mas minha libido estava a milhão. Chamar a atenção de alguém e perder aquele instante estava fora de cogitação. Ele pegou em minha mão, conduzindo-a até seu pau. Estava rígido o suficiente para uma transa legal.

Ele começou a massagear meus seios, lamber e beijar minha nuca e orelhas, me deixando louquinha. Esfreguei seu pau em minha boceta encharcada; não aguentava mais o desejo de foder com este sacana descarado. Ele liberou a minha boca; ficou evidente que eu não gritaria. Suas mãos firmes ergueram meu corpo para que eu sentasse sobre seu membro. Direcionei aquele cacete em minha boceta, sentei e desci gostoso. Ele segurou minha cintura, me fazendo subir e descer, metendo com intensidade.

Gemi por minutos, curtindo suas estocadas profundas. O bruto safado agarrou-me pelos cabelos e fez-me levantar. Queria mudar a posição, forçou-me a curvar o corpo e apoiar minhas mãos no vaso sanitário. Sua mão melecou meu ânus de saliva e seu pau começou a invadir o meu cu bruscamente. Ah! Se ele pretendia judiar de mim, não conseguiu, pois eu amei aquela pegada do ogro. Ele foi enterrando até que tudo estivesse dentro e começou a bombar como um alucinado. Ouvi o som repetitivo do impacto em minha bunda e segurei a onda para não gemer como uma vadia e chamar a atenção da família.

Seu arfar ofegante aumentava e seguia no ritmo das batidas de suas bolas na minha boceta. Ele efetivamente espancava o meu grelo. Meu clímax chegou intenso, gozei… gozei muito. E ainda fui agraciada naquele momento por seus espasmos e sua porra despejada em mim. Ele amenizou os golpes, e eu senti os últimos espasmos do seu pau.

Deduzi que seria uma excelente oportunidade de conseguir uma grana extra.

— Quanto você pretende me pagar para eu não falar nada para o Kevin?

Sua resposta foi uma gravata violenta e encostou os lábios em meu ouvido. Concluí que a minha tentativa de chantagem fora uma péssima ideia. Ele foi grosseiro, dando-me uma última estocada bruta em meu rabo cheio de porra. A seguir, gelei ao ouvir sua voz:

— Você vai ficar de bico calado, piranha vagabunda, e me atender quando eu quiser. Já pago o suficiente para fingir que é namorada do viadinho do meu filho.

Ele soltou meu pescoço, tirou seu pau de dentro e sumiu na escuridão. Ouvi o barulho de chave na fechadura. “Será que ele me trancou?” Pensei. Caminhei insegura, procurando a saída. A luz voltou. Cheguei até a porta e testei a fechadura. Estava aberta. Recuperei-me do susto enquanto tomava outra ducha.


Após recompor a roupa e maquiagem, juntei-me aos outros.

O canalha e pervertido do capitão recebeu-me sorrindo e agindo como se nada tivesse acontecido.


Fim.


Última revisão em: 07/06/2026.


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