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<< APÓS O BRUTAL RITUAL SEXUAL em minha segunda passagem pela mansão dos horrores, entrei de férias escolares.
Seria só uma semana de descanso, tanto no colégio quanto no ateliê, mas, devido ao feriado municipal na terça-feira, ganhei mais dois dias e retornaria somente na quarta, 27 de julho. Foi providencial, pois meu corpo reclamava por repouso; todavia, o desgaste maior era mental, meu estado psicológico estava um caco. Aproveitaria o tempo de ociosidade para pensar num plano de liberdade que não prejudicasse a minha família.
A semana passou voando e já era tarde de sexta-feira; decidi curtir um pouco o restante das férias. Contudo, tive dificuldade em convencer meus pais a me deixarem ir a uma festa do pijama na casa de uma amiga. Era mentira, mas já havia combinado com minha amiga e cúmplice, caso alguém ligasse para ela.
Passava um pouco das 19h00 quando encontrei-me com o professor Rodrigo no shopping. Mais uma vez eu abusaria da sorte, mas a oportunidade de passarmos uma noite gostosa em sua cama valia o risco.
Pouco depois de chegarmos em seu endereço, rolava uma festa, não em sua residência (o puxadinho nos fundos), mas no sobrado da frente, moradia da sua irmã Neide. A aniversariante completou 38 anos. Com ela moravam o marido e o filho do casal.
Lucas, O Sobrinho
O Rodrigo havia comentado sobre o seu sobrinho Lucas (18 anos): “No momento, meu sobrinho nem estuda e nem tem um emprego formal. Completou o ensino médio ao final do último ano e agora dedica todo o seu tempo a tentar emplacar como divulgador de conteúdo nas redes sociais, dando dicas sobre tecnologia. O moleque também sonha em ser um hacker de prestígio, é esperto e tem talento.”
— Então vai se dar bem, né? — falei.
— Ou acabar na cadeia — disse e gargalhou.
Havíamos combinado de não demonstrarmos intimidades diante do pessoal. O homem tem o dobro da minha idade, mas, para nós, não é este o problema, e sim que o nosso envolvimento chegue ao conhecimento do pessoal do instituto.
“Somos apenas amigos”, seria nossa resposta aos curiosos. Não ia colar, mas talvez não gerasse um clima constrangedor na festinha da irmã.
— Mais tarde, em sua cama, voltaremos a ser amantes. — Combinado, professor?
— Combinadíssimo, meu amor.
Não fui favorecida pela ideia, pois, devido ao meu “status de solteira”, fiquei exposta a diversas cantadas dos homens e rapazes presentes: algumas discretas e outras nem tanto. Ainda assim, foi divertido e administrei na boa.
Houve um imprevisto durante a festinha: a obturação de um molar do Rodrigo soltou ao morder um caroço de ameixa indevidamente presente no recheio do bolo.
Ele deu sorte ao conseguir marcar uma consulta para a manhã seguinte, pois sentia dor e incômodo.
O homem saiu às oito da manhã daquele sábado; eu continuei em sua cama, aguardando o seu retorno, pretendia voltar para casa no meio da tarde.
Havia adormecido novamente e acordei ao ouvir um barulho vindo da escada caracol. Não tinha ideia das horas, mas só poderia ser o Rodrigo retornando. Fiquei propositalmente descoberta, nua, bumbum virado para a porta e fingindo dormir.
Eita! A voz apavorada enchendo o quarto não era a do professor.
— Tio! Seu carro não está lá na rua.
Era a voz do Lucas, o sobrinho.
Puxei o edredom para cima de mim e me virei. Minha cara era de pateta, claro. O garoto parou a menos de dois metros, talvez na expectativa de ver alguma parte nua.
— Desculpe, Gisele, não sabia que tinha dormido aqui.
— Tranquilo, o vacilo foi meu. — O seu tio foi ao dentista.
— Ah! Beleza… E aí, vocês estão namorando?
O rapaz me cortejou durante a festa, dei evasivas adiando uma resposta, ou seja, o deixei em banho-maria.
— Não sei ainda, acho que não, só estamos curtindo a vida. É meio complicado.
— Não entendi.
— É complicado por causa da nossa diferença de idade. Meus pais iriam pirar grandão se soubessem dessa parada.
— Acho que ia ficar embaçado mesmo.
— Então, Lucas, achei bem legal o seu canal no YouTube. Vou compartilhar com o pessoal do colégio.
— Valeu! Tô precisando, ainda não tenho interação suficiente para conseguir a monetização.
— Você manja bem de computação?
— Um pouco, ainda estou aprendendo. Meu tio me dá uma força.
— Mas, tipo assim… Você já é um hacker? Quero dizer… Consegue acessar um notebook mesmo sem ter a senha?
— Depende do tipo. Alguns, sim. Por quê?
— Eu preciso descobrir os podres de uma pessoa. Não é o seu tio, viu? É coisa minha. Mas deixa quieto por enquanto; quando precisar da sua ajuda, daí me diz se pode ajudar — falei e sentei na cama, segurando o edredom um pouquinho acima dos seios.
— Beleza, se eu puder, eu ajudo.
— Tô com fome. — Já tomou café?
— Ainda não. Estava indo comprar pão de queijo quando dei falta do carro. Vim correndo avisar o tio.
— Eu me contentaria com as sobras dos salgadinhos e um pedaço do bolo de ontem. Sem caroço, claro!
Nós rimos e ele demonstrou sua simpatia:
— Sobrou um bocado, vou lá pegar pra você.
— Que amor! Vou fazer um café fresquinho pra nós. — Joga essa camisa aí da cadeira aqui pra mim, por favor?
O carinha pegou a camisa social do Rodrigo e entregou-a em minhas mãos. Seu olhar foi uma flechada de desejos. Naquele instante, desejei ter o poder de ler mentes e ver as sacanagens rolando naquela cabecinha enquanto o bonito permanecia estático à minha frente. Considerei os prós: estávamos sozinhos, a cama à disposição, eu já estava nua e o boy transbordando de desejos. O contra era não saber quando o professor voltaria. Então, achei melhor adiar um pouquinho mais esse desfecho.
— Minha barriga está roncando, Lucas… Você não estava indo buscar a parada? — falei friamente.
Ele retornou de sua “viagem”.
— Estou indo. Volto logo com os salgados e um pedaço de bolo pra você.
— Ah! Traz pra você também e toma café comigo, vai! — falei, fazendo charminho, pois senti remorso por ter sido dura demais instantes atrás.
— Tá legal! — disse ele, animado novamente, e saiu caminhando rumo à escada caracol.
Eu deixei o edredom de lado, vesti a camisa e levantei. Ao começar a abotoar, levantei os olhos, mirando o espelho do guarda-roupas. Vi o reflexo do garoto no patamar da escada.
— Perdão, linda, mas não resisti — disse, demonstrando estar envergonhado.
— Seu safado! Só te perdoo quando voltar com aquelas delícias — falei, zoando.
— Estou indo e volto em dois palitos.
O Rodrigo havia feito compras: um pão de torresmo super elogiado; alguns pães franceses; frios e frutas.
Fiquei com um tremendo sentimento de culpa ao deduzir que a sua intenção foi agradar-me preparando um lauto desjejum a dois.
No entanto, sua decepção poderia ter sido pior, posto que minha libido chegou a níveis elevados, e o sobrinho parecia ser muito delicinha. Se o homem tivesse demorado mais meia horinha, teria me encontrado sem calcinha, deitada de costas no sofá, de pernas abertas e gemendo como uma cadelinha enquanto saboreava o vai e vem e o peso do boy sobre mim.
A menina generosa e de boas relações com todos estava se tornando egoísta, infiel e sem reconhecimento de culpa. Os poucos meses vividos no inferno chamado ateliê corromperam a pouca inocência ainda restante em mim.
Horas mais tarde, naquela noite, a minha irmã Giovana choramingava porque não foi para lugar nenhum nas férias de meio de ano.
Eu havia desistido de ir a um passeio, mas acabara de mudar de ideia e convidei a garota para passar o dia numa cachoeira da região. O Lucas havia me convidado para o passeio; ele e sua turminha passariam lá o dia de domingo. Havia lhe falado sobre o seu tio ficar chateado comigo caso soubesse que eu também fui.
— Ele não precisa ficar sabendo, Gisele, nem eu nem ninguém vai falar nada.
— Tá legal! Vou falar com meus pais.
— Vamos nos reunir às oito da manhã, lá na praça, e vamos todos juntos.
— Maravilha! Se der certo, estarei lá. Se não der, eu mando mensagem.
Minha irmã ficou animada e conseguiu, junto comigo, convencer meus pais a nos deixarem ir, e mamãe ainda nos levaria até a praça.
A manhã do domingo anunciava um dia quente e de muito sol. Estávamos todos reunidos na praça, quatro meninas e cinco rapazes. Partimos em dois carros rumo à cachoeira.
Foram precisos poucos minutos no lugar paradisíaco para eu ter uma surpresa da porra ao prestar atenção numa garota, passageira do outro carro. A novinha parecia ser mais velha do que minha irmã e mais nova do que eu. Já disse antes, sou exatamente três anos mais velha que minha irmã; nascemos ambas em 5 de junho.
A garota era séria e silenciosa; só ouvi sua voz quando ela tirou a camiseta e pediu para a sua colega passar o protetor solar em suas costas. Senti um choque e voltei toda a minha atenção à novinha: “Eu conheço essa voz.” Pensei.
Quando ela tirou o shorts… Bingo! A marca de nascença em seu bumbum, similar a um pássaro voando, eliminou meu restinho de dúvida.
“Caralho, mano!” É a garota da mansão. Pensei, super chocada. Contudo, mesmo se não tivesse avistado o seu “pássaro”, a teria reconhecido pela voz, assim como ela provavelmente reconheceu a minha. Digo isso porque fiquei intrigada com seus olhares enigmáticos nos momentos em que eu falava.
No instante em que ficamos muito próximas uma da outra, ambas com medo no olhar, foi emocionante demais. Queria abraçá-la a fim de tentar atenuar a dor em nossos corações. Porém, estávamos cientes das regras de mantermos a discrição e de evitarmos a interação.
Rapidamente disfarçamos os sentimentos que representavam perigo para nós. Ninguém poderia saber sobre nosso vínculo e que ele provinha daquele universo diabólico e mafioso.
Por sorte, o Lucas chegou até mim e minha mana; nós o acompanhamos para um banho sob a cachoeira.
— Aquelas meninas são namoradas? — perguntei-lhe.
— Não, são primas. A Cíntia (a novinha da mansão) não é de sair com a turma; a mãe dela é uma bruxa, parece que tem parte com o diabo, é muito estranha. A mulher proíbe a garota de sair; nem sei como o Roberto e a Nanda conseguiram trazer a Cíntia hoje.
O Roberto é irmão da Nanda e motorista do outro carro.
Naquele instante, eu parei com as perguntas e só tentei relaxar para curtir o dia com a turminha animada. Processaria tudo isso em outra oportunidade.
Continua.
Última revisão em: 23/03/2026.

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